She’s gone, but she’s everywhere: séries sobre garotas assassinas

Para completar minha lista de narrativas sobre garotas assassinas – que começou com livros e filmes –, deixo aqui minhas sugestões de séries.

SÉRIES

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Pretty Little Liars

“She’s gone, but she’s everywhere.”

Pretty Little Liars parece, à primeira vista, uma série adolescente meio boba e sem graça, e, admito, a atuação na primeira temporada deixa a desejar, mas é também a coisa mais tensa e assustadora que eu já assisti na televisão. As quatro protagonistas, Aria, Hanna, Emily e Spencer, são melhores amigas desde a infância, e se veem reaproximadas depois de um ano sem se falar quando encontram o corpo de Alison – a quinta integrante do grupo de amigas, que tinha desaparecido misteriosamente –, e são encontradas por uma pessoa misteriosa, que se identifica só como “A”, e parece saber tudo sobre suas vidas. Ao longo das temporadas, a situação com A vira uma perseguição violenta, física e psicologicamente, e impossível de escapar. Todas as pessoas da pequena cidade de Rosewood têm algo a esconder, e as garotas não podem confiar em ninguém – nem em seus familiares, amigos ou namorados. Cada segredo que é revelado é mais nefasto do que o anterior, e não posso contar muito mais que isso sem estragar a graça do mistério. Só saibam que até agora, na quinta temporada, estamos tentando encontrar todas as peças do quebra-cabeça para entender o que aconteceu com Alison, quem é mesmo A, e por que todo mundo na cidade parece querer fazer mal às quatro protagonistas.

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American Horror Story: Coven

“When witches don’t fight, we burn.”

Começo com uma confissão: na realidade eu não gosto muito de American Horror Story. Acho os atores maravilhosos, a estética super assustadora e sensacional, mas o roteiro me decepciona o tempo inteiro, e a obsessão do Ryan Murphy por estupro não me agrada nem um pouco. Por isso, acabei abandonando a série no meio da terceira temporada (Coven), mesmo que eu estivesse achando a melhor até agora. Não comecei nem pretendo começar a quarta (Freakshow), mesmo com a promessa do Neil Patrick Harris. Bem sinceramente, acho que só aguentei ver a segunda (Asylum) pela presença do Zachary Quinto como um assassino horrível.

Tendo dito isso, ainda recomendo Coven, a terceira temporada, para quem curte histórias sobre garotas assassinas. Caso você não conheça a série, não se preocupe: as temporadas são histórias independentes, então não precisa ver as duas anteriores pra curtir a terceira. Em Coven, um grupo de adolescentes, descendentes das bruxas de Salem, estuda bruxaria na Miss Robichaux’s Academy. Cada uma delas tem, a princípio, um poder: Zoe mata homens através do sexo; Madison move objetos com a mente (e usa esse poder para destruir um ônibus cheio de frat boys, incluindo os que a estupraram numa festa); Queenie é uma boneca voodoo humana, e toda a dor que inflinge a si própria é sentida por outra pessoa; Zoe é vidente e telepática. Como a série é composta de eventos cada vez mais bizarros, nem adianta explicar mais da história aqui, mas um clã de bruxas adolescentes assassinas não poderia ficar de fora desse post.

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Hannibal

Abigail: “Does that make me a sociopath?”
Lecter: “It makes you a survivor.”

Como é de se esperar, Hannibal tem violência, assassinato, gore e canibalismo aos montes. E, sendo uma série do Bryan Fuller, também é fascinante esteticamente, e cheia de referências visuais ao mito de Hades e Perséfone. Até hoje nunca consegui ver O silêncio dos inocentes do começo ao fim, de tanto medo que tenho de Hannibal Lecter, mas sou apaixonada pela série porque, por mais que me revire o estômago, não consigo não olhar.

Mas a grande razão para incluir essa série nessa lista é Abigail Hobbs (Kacey Rohl), a filha adolescente e cúmplice de um serial killer. Após a morte se eu pai, Abigail acaba quase como adotada por Will Graham – o coprotagonista especialista em serial killers que parece oscilar sempre entre o lado do “bem” e do “mal”, a Perséfone de nossa história – e pelo próprio Hannibal Lecter – rei do submundo, Hades encarnado, um assassino cuidadoso, obsessivo, e com um senso de humor peculiar. A série foi renovada para uma terceira temporada, e a finale da segunda trouxe uma reviravolta para a história de Abigail.

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Are we going to prom or are we going to hell?: filmes sobre garotas assassinas

Comecei, semana passada, uma série de posts com recomendações de narrativas sobre garotas assassinas. O primeiro post foi sobre livros, e explica um pouco do meu fascínio pelo assunto. Continuo, hoje, com uma lista de filmes.

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Heathers

“Are we going to prom or are we going to hell?”

Heathers pega a narrativa tradicional dos filmes de high school – as meninas populares e más, os jogadores de futebol americano violentos e imbecis, o aluno novo esquisito com ares de bad boy – e vira tudo de ponta-cabeça quando o aluno novo esquisito (Christian Slater, de jaqueta de couro e arma na mão) se junta a uma das meninas populares (Winona Ryder, fazendo o papel da única menina do grupo que não se chama Heather) para assassinar aos poucos o corpo estudantil. A comédia de humor negro te faz rir nos momentos mais inoportunos, é cheia de quotes que ficarão grudadas na sua cabeça para sempre, tem uma estética kitsch anos 80 impagável e ainda é permeada por um discurso sobre bullying e suicídio entre adolescentes. Se você se interessar, essa história oral do filme é sensacional.

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Jawbreaker

“I killed the teen dream. Deal with it.”

Quase uma versão anos 90 de Heathers, Jawbreaker também transforma uma das meninas malvadas da escola em uma assassina de coração gelado. Dessa vez, ela é Courtney Shayne, interpretada por Rose McGowan, e líder das Flawless Four, que acidentalmente mata Liz, uma das meninas do grupo, e organiza o plano para acobertar o acidente. A história se complica quando a loser da escola, Fern Mayo, descobre o acontecido, e é incluída no grupo das populares – depois de uma clássica makeover – para ficar quieta.

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The Craft

“Now is the time. This is the hour. Ours is the magic. Ours is the power.”

Continuamos nas panelinhas escolares, mas dessa vez com bruxas de verdade. Sarah é a novata com um passado difícil no colégio em São Francisco, onde conhece Bonnie, Rochelle e Nancy, amigas com passados e presentes igualmente difíceis, por razões diferentes. Mas não é só isso que as quatro têm em comum – elas são, também, todas bruxas, e Sarah junta-se ao coven. Mas, como todo bom filme, o que deveria dar certo acabando saindo do controle: o poder e a ambição das quatro não param de crescer, com consequências nefastas.

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Stoker

“My ears hear what others cannot hear; small faraway things people cannot normally see are visible to me. These senses are the fruits of a lifetime of longing, longing to be rescued, to be completed. Just as the skirt needs the wind to billow, I’m not formed by things that are of myself alone. I wear my father’s belt tied around my mother’s blouse, and shoes which are from my uncle. This is me. Just as a flower does not choose its color, we are not responsible for what we have come to be. Only once you realize this do you become free, and to become adult is to become free.”

Vamos nos afastar rapidamente do mundo escolar para falar do thriller psicológico Stoker, escrito por Wentworth Miller (sim, o ator de Prison break) e dirigido por Park Chan-wook. É difícil explicar o filme sem soltar spoilers – e a própria presença dele nessa lista é um spoiler –, mas o enredo básico é o seguinte: India Stoker (Mia Wakikovska), aos 18 anos, se vê presa numa vida com sua mãe instável (Nicole Kidman) e seu tio Charlie, do qual nunca nem tinha ouvido falar, após a morte de seu pai. A partir daí, o clima do filme só fica cada vez mais tenso, e o resto eu não conto para não estragar.

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Carrie

“It has nothing to do with Satan, Mama. It’s me.”

E voltamos ao mundo familiar do ensino médio com esse clássico do terror, inspirado no livro homônimo de Stephen King. Rolou um remake em 2013, mas não vi ainda, então considerem minha recomendação para a versão original, de 1976, dirigida por Brian de Palma. Apesar de ser um filme supostamente sobre uma garota vingativa com poderes psíquicos – a Carrie do título –, muito do filme é na verdade sobre fundamentalismo religioso e a vergonha do corpo feminino (a história começa quando Carrie tem sua primeira menstruação, aos 17 anos, e não sabe o que é então acredita que está sangrando até a morte; além disso, sangue é um elemento recorrente ao longo do filme).

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Jennifer’s body

“Hell is a teenage girl.”

Dessa vez tem, sim, tudo a ver com Satã. A cheerleader popular e poderosa Jennifer (Megan Fox, no melhor papel que já fez na vida) é possuída por um demônio em um ritual conduzido por uma banda de indie rock (cujo líder é Adam Brody, o Seth Cohen de The OC), ganha um apetite por carne humana e começa a matar e devorar os garotos da escola. Sua melhor amiga, Needy (Amanda Seyfried), tenta descobrir o que está acontecendo e controlar o desastre. O enredo soa ridículo, e é, mas prometo que é também maravilhoso.

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Cruel intentions

“It’s okay for guys like you and Court to fuck everyone. But when I do it, I get dumped for innocent little twits like Cecile. God forbid, I exude confidence and enjoy sex. Do you think I relish the fact that I have to act like Mary Sunshine 24/7 so I can be considered a lady? I’m the Marcia fucking Brady of the Upper East Side, and sometimes I want to kill myself.”

Okay, confesso, estou trapaceando. Cruel intentions não chega a ter assassinato – morte, sim, mas por acidente –, mas mantenho minha opinião de que é só por falta de oportunidade e/ou necessidade. Afinal, Kathryn Merteuil é definitivamente uma assassina potencial. Como se fosse uma versão mais dark e cruel do mundo de Gossip Girl, Cruel intentions se passa entre os jovens de famílias ricas e poderosas do Upper East Side de Manhattan – jovens que abusam de seu poder e liberdade para destruir vidas alheias. Os irmãos postiços Kathryn Merteuil (Sarah Michelle Gellar, no auge de sua fama como Buffy) e Sebastian Valmont (Ryan Phillippe) se divertem criando jogos e apostas com a intenção de arruinar vidas e reputações. Mas encontram obstáculos quando decidem se juntar para destruir Cecile Caldwell e Annette Hargrove, duas jovens ingênuas que entram em seu círculo social.

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Léon

“Is life always this hard, or is it just when you’re a kid?”

Para compensar a falta de assassinato em Cruel intentions, acabo a lista com Léon, filme de Luc Besson, em que não só temos uma adolescente assassina, mas uma adolescente assassina profissional. No caso, Mathilda, de 12 anos, interpretada por uma Natalie Portman ainda criança, que é adotada e treinada por Léon, um assassino profissional, após se tornar órfã. Os dois se tornam amigos, e a pequena Mathilda passa a aprender a profissão.

Something dangerous about the boredom of teenage girls: livros sobre garotas assassinas

Faz meses – quiçá anos – que eu quero escrever uma lista sobre minha trope favorita na ficção: adolescentes assassinas. Sou fascinada por livros e filmes que subvertem a maldade tradicionalmente associada a garotas adolescentes – a competição e o bullying de Meninas malvadas, por exemplo – e apresentam personagens cruéis e possivelmente sociopatas. Aproveitando as discussões sobre gênero e violência que tenho visto por aí por causa do lançamento do filme Gone Girl (que só não vai pra lista porque os personagens são adultos, mas vale como menção honrosa) e a proximidade do Halloween, decidi que era hora.

Como minha lista original ficou gigante, decidi dividir em categorias, e fazer um posts para livros, um para filmes e um para séries. Comecemos, então, pelos livros:

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Dare me, Megan Abbott

“There’s something dangerous about the boredom of teenage girls”

As personagens principais de Dare me são cheerleaders, mas não espere diversão, leveza e superficialidade como em Bring it on. Para ser uma cheerleader é preciso disciplina, força, equilíbrio, ambição e saber o seu lugar na pirâmide – metafórica e literamente. Addy e Beth, as adolescentes que protagonizam o romance, são melhores amigas num equilíbrio preciso e delicado, desestabilizado pela chegada da nova treinadora da equipe e pela destruição que ela traz.

A autora, Megan Abbott, é maravilhosa, e amo todos os livros dela que li. Escolhi Dare me para a lista porque é meu favorito, mas fica aqui a recomendação de The fever, The end of everything e Queenpin, todos lindos e perturbadores.

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The basic eight, Daniel Handler

“I hadn’t felt such disgust for a boy since the early days, when they’d tease girls on the playground, kicking us and throwing gravel and raising their voices in high screechy mockery. “They do that because they like you,” all the adults said, grinning like pumpkins. We believed them, back then. Back then we thought it was true, and we were drawn toward all that meanness because it meant we were special, let them kick us, let them like us. We liked them back. But now it was turning out that our first instincts were right. Boys weren’t mean because they liked you; it was because they were mean.”

Eu já tinha sido convencida de que o Daniel Handler conseguia escrever a voz de garotas adolescentes como ninguém – mesmo sendo um homem de meia-idade – quando li Why we broke up, mas The basic eight foi o que confirmou a tese. Contado em primeira pessoa por sua narradora assassina nada confiável, The basic eight detalha o que levou a colegial Flannery Culp a matar uma pessoa. A sinopse da quarta capa do livro já diz tudo: “It’s true that high school can be so stressful sometimes. And it’s true that sometimes a girl just has to kill someone. But Flannery wants you to know that she’s not a murderer at all — she’s a murderess.”

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The secret history, Donna Tartt

“It’s a very Greek idea, and a very profound one. Beauty is terror. Whatever we call beautiful, we quiver before it. And what could be more terrifying and beautiful, to souls like the Greeks or our own, than to lose control completely? To throw off the chains of being for an instant, to shatter the accident of our mortal selves? Euripides speaks of the Maenads: head thrown I back, throat to the stars, “more like deer than human being.” To be absolutely free! One is quite capable, of course, of working out these destructive passions in more vulgar and less efficient ways. But how glorious to release them in a single burst! To sing, to scream, to dance barefoot in the woods in the dead of night, with no more awareness of mortality than an animal! These are powerful mysteries. The bellowing of bulls. Springs of honey bubbling from the ground. If we are strong enough in our souls we can rip away the veil and look that naked, terrible beauty right in the face; let God consume us, devour us, unstring our bones. Then spit us out reborn.”

Assim como The basic eight, The secret history é uma história de mistério e assassinato um pouco fora do comum: desde o começo, sabemos quem foi responsável pelo assassinato; no entanto, não sabemos como nem por quê ocorreu. Nesse caso, os criminosos são um grupo de jovens estudantes de Antiguidade Clássica na faculdade, parte de uma turma super exclusiva de Grego Antigo, com aulas dadas por um professor misterioso. Os jovens do grupo incluem Richard Papen, o narrador, Francis Abernathy, Henry Winter, Bunny Corcoran e os gêmeos Charles e Camilla Macaulay – a jovem garota que permite a inclusão do livro nessa lista.

Confesso que foi difícil escolher entre The secret history e The little friend como representante da Donna Tartt – o primeiro é meu favorito mas se encaixa no tema meio marginalmente, enquanto o segundo tem uma protagonista feminina adolescente vingativa mas não tem a crueldade do primeiro. Não resisti à vontade de citar The secret history, então fui com ele mesmo, mas insisto em recomendar The little friend, também incrível.

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The bloody chamber and other stories, Angela Carter & My mother she killed me, my father he ate me: forty new fairy tales, edited by Kate Bernheimer

“She herself is a haunted house. She does not possess herself; her ancestors sometimes come and peer out of the windows of her eyes and that is very frightening.”

“But a story never told is also a danger, particularly to the people in it.”

Essas duas coletâneas de contos de fadas podem parecer um pouco fora do padrão, mas na realidade estão cheias de contos em que a Chapeuzinho é mais perigosa do que o Lobo Mau. The bloody chamber and other stories reúne histórias escritas por Angela Carter, que retoma as origens sombrias dos contos de fadas que a Disney neutralizou para a gente. Já My mother she killed me, my father he ate me tem contos de vários autores contemporâneos – incluindo Neil Gaiman, Joyce Carol Oates e Shelley Jackson – que subvertem e atualizam as histórias que já conhecemos tão bem, e também algumas menos populares.

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Sharp objects & Dark Places, Gillian Flynn

“I was not a lovable child, and I’d grown into a deeply unlovable adult. Draw a picture of my soul, and it’d be a scribble with fangs.”

“And near it, my first word, slashed on an anxious summer day at age thirteen: wicked. I woke up that morning, hot and bored, worried about the hours ahead. How do you keep safe when your whole day is as wide and empty as the sky? Anything could happen. I remember feeling that word, heavy and slightly sticky across my pubic bone. My mother’s steak knife. Cutting like a child along red imaginary lines. Cleaning myself. Digging in deeper. Cleaning myself. Pouring bleach over the knife and sneaking through the kitchen to return it. Wicked. Relief. The rest of the day, I spent ministering to my wound. Dig into the curves of W with an alcohol-soaked Q-tip. Pet my cheek until the sting went away. Lotion. Bandage. Repeat.”

Não incluí Gone girl, mas os outros dois livros da autora, Gillian Flynn, estão liberados. Ambos são aterrorizantes, e me deram pesadelos por um tempo, mas são mistérios impossíveis de deixar de lado até saber o que acontece no final. Em Sharp objects, a repórter Camille Preaker, logo após sair de um hospital psiquiátrico, retorna à casa de sua família em sua pequena cidade natal para cobrir a investigação sobre o assassinato de duas pré-adolescentes. Já em Dark places, Libby Day decide descobrir o que realmente aconteceu na noite em que sua família foi assassinada, supostamente por seu irmão mais velho. Nos dois livros, o confronto das mulheres com suas vidas de adolescente, suas famílias tóxicas e suas cidades pertencentes a um filme de terror é tão bem construído que mesmo eu – sem família tóxica, no meio do Rio de Janeiro – me senti presa numa casa caindo aos pedaços no Kansas.

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Kick-Ass, Mark Millar

“It didn’t take a trauma to make you wear a mask. It didn’t take your parents getting shot… or cosmic rays or a power ring… Just the perfect combination of loneliness and despair.”

E se pessoas comuns decidissem agir como super-heróis no mundo real? É essa a premissa da graphic novel Kick-Ass, que virou um filme (esteticamente legal, mas que distorce a mensagem do texto, na minha opinião). E, bem, o que acontece é que: não dá tão certo assim. Diferente dos típicos quadrinhos de super-heróis, em que a violência é tornada em algo emocionante de filmes de ação, em Kick-Ass a violência praticada pelos vilões e pelos heróis é muito real, e as consequências também – afinal, você não volta à vida se você não é um X-Men. Nesse mundo violento dos wannabe super-heróis de Kick-Ass, temos o protagonista adolescente, cujo codinome dá título ao livro, mas também temos Hit-Girl, uma garota de 11 anos que assassina brutalmente “vilões”, treinada por seu pai, o também super-herói Big Daddy McCready. Hit-Girl fez tanto sucesso que ganhou até seus próprios quadrinhos homônimos.