Resultados #youcandoit: sétima semana

O #youcandoit da sexta semana ainda está pendente (essa coisa de cair chuva forte no fim de semana me deixando ilhada sem conseguir ir ao Planetário tá difícil), mas cumpri o da sétima, com o namorado e a ilustre visitante Clara Browne n’O Cluster.

Estava tendo uma manhã desanimada (noite mal dormida, coisas demais na cabeça, dia com cara de chuva, vontade de ficar dormindo a tarde inteira), mas caprichei na roupa, no salto e na maquiagem e fui com o namorado encontrar a Clara, minha querida amada amiga coeditora da Capitolina que vive em São Paulo então eu vejo menos do que gostaria, em Botafogo. Chegando n’O Cluster, encontrei mais umas cinco pessoas conhecidas nos primeiros dez minutos (é o que acontece em eventos no Rio de Janeiro), o que tornou a tarde ainda mais social do que eu esperava.

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~*migas*~

 

Acabamos dando uma olhada muito por alto nos objetos e na moda, e corremos para as barraquinhas de comida. Me enchi de batatas do Frites, comi um chana masala delicioso do Namasté Indian Food e aproveitei um Pink Spanking delicioso (vodka + triple sec + cranberry + hibiscus) do SM Drinks, enquanto minhas companhias comiam hambúrgueres do Monsieur B. Acabado o almoço, nos deslocamos pro Torta & Cia da Cobal para sobremesa, e estou até agora com vontade de mais um pedaço de torta de tapioca com doce de leite.

Curtindo meu Pink Spanking da SM Drinks.

Curtindo meu Pink Spanking da SM Drinks.

A noite acabou em casa, com família, papos sobre mapa astral e Gilmore Girls, e a presença da Clara até eu ter que me despedir para ir dormir (quer dizer… escrever esse post antes, e aí ir dormir).

E vocês? Se arrumaram e saíram para se divertir, como instruído? Como passaram o fim de semana?

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You were never on your own: sobre One Direction, fãs e garotas adolescentes

One Direction, Parque dos Atletas, 8/5/14.

One Direction, Parque dos Atletas, 8/5/14.

Se você frequenta os mesmos círculos de internet que eu frequento, o assunto que mais viu hoje no Twitter foi a saída do Zayn Malik da boyband One Direction. Eu sou fã da banda (anetoda ilustrativa: fui de Pista VIP no show do Rio, enfrentando um engarrafamento de duas horas numa greve de ônibus) e recebi a notícia no caminho para o trabalho, quando a Verônica (minha companheira #1 de fangirling sobre One Direction) me telefonou para contar assim que soube. Na verdade, não fiquei tão surpresa – já estava na cara que isso ia acontecer –, e me afetou menos do que teria me afetado um ano atrás – estou menos investida na banda hoje em dia, especialmente porque fiquei bem decepcionada com o último CD (meu favorito é o terceiro, Midnight Memories, e senti que eles caíram de qualidade no Four). De qualquer forma, foi algo de certa importância pra mim, e teria sido de ainda maior importância um ou dois anos atrás, quando minha paixão pela banda estava em seu auge.

No entanto, mesmo que não fosse o caso, mesmo que eu não desse a mínima pra boybands, mesmo que eu nunca tivesse ouvido falar em Zayn Malik, mesmo que eu não ficasse super emocionada ouvindo “Through the dark”, eu ainda teria ficado irritadíssima com o que vi na internet: um monte de gente zoando as adolescentes que estavam sofrendo por isso, um monte de gente desprezando as fãs que estavam tristes, um monte de adulto achando que emoção de adolescente sobre membro de boyband é “frescura”. Felizmente, meu círculo da internet incluía muito mais gente se posicionando contra esse tipo de reação, mas só bater o olho nos comentários do post do Buzzfeed sobre as reações “dramáticas” das fãs já fez meu sangue ferver.

O que duas adultas fazem na pista VIP.

O que duas adultas fazem na pista VIP.

Existem, a meu ver, dois elementos muito presentes nesse tipo de reação negativa às emoções das fãs: um desprezo (bastante machista) de tudo que é feito por/para garotas adolescentes, e uma violência generacional contra os jovens “desta geração” – como se fossem tão diferentes dos jovens de gerações anteriores.

Um comentário no post do Buzzfeed dizia algo como “que vergonha dos jovens de hoje em dia”, e foi respondido com “bom, é bem parecido com a reação das fãs quando os Beatles acabaram, há décadas”. Porque, vamos lá, é mesmo. O surgimento da categoria “adolescente” é considerado bem recente, e atribuído a questões capitalistas mercadológicas, criando uma faixa idade intermediária entre a criança e o adulto com interesses de consumo específicos, mas adolescentes são adolescentes desde, bem, sempre – mesmo que, antes, fossem só “jovens”. Em A Hard Day’s Night, filme dos Beatles de 1964, hordas de garotas adolescentes correm e gritam e choram e desmaiam quando veem seus ídolos; em This is Us, filme do One Direction de 2013, hordas de garotas adolescentes correm e gritam e choram e desmaiam da mesma forma. Não é uma diferença generacional, não são “as adolescentes de hoje em dia”, os adolescentes da geração seguinte à sua não são piores do que você, agora adulto, quando adolescente. O que me incomoda ainda mais, na realidade, é quando esse discurso é reproduzido pelos próprios jovens: uma nostalgia por algo que não viveu, a ideia de que jovens “antigamente” eram os jovens “certos”, que jovens de hoje são “ridículos”, uma insatisfação com a própria condição de jovem, um claro reflexo de viver em um ambiente em que os adultos desprezam a sua geração.

Outros comentários – os mais frequentes – só desprezavam as adolescentes, ponto. Desprezavam a banda, desprezavam a reação aparentemente desproporcional. Desprezavam o fato de tudo isso ser por uma boyband (considerada musicalmente e culturalmente “inferior”), desprezavam o fato de as reações serem feitas de forma tipicamente feminina e adolescente – lágrimas, superexposição em redes sociais, declarações de amor elaboradas. Algumas pessoas no meu Twitter apontaram o óbvio: tem gente desprezando o sofrimento das garotas por One Direction, mas fazendo tatuagem de Breaking Bad; tem gente desprezando as fãs de uma boyband que estão chorando, mas chorando ainda mais quando o time de futebol perde um campeonato. Há uma discrepância clara entre o que é visto como algo vergonhoso e algo honroso para se ser fã, e a discrepância é baseada em um ponto: é vergonhoso gostar de algo cujo público principal é garotas adolescentes.

Garotas adolescentes são associadas a tudo que há de negativo na feminilidade e na juventude: fraqueza, impulsividade, instabilidade, ora cruéis e manipuladoras, ora frágeis e manipuláveis, ora sedutoras ninfomaníacas, ora inocentes submissas; mas sempre, sempre, sempre ligadas a vergonha, a ignorância, sempre vistas como exageradas cujas emoções e ações são porque “elas não sabem de nada”. Mas eu escrevo isso tudo para questionar por que características e sentimentos naturais, humanos, perfeitamente compreensíveis quando você, como garota adolescente, é pressionada dessa forma, são vistos como negativos, insignificantes, vergonhosos; por que qualquer associação ao ser-garota-adolescente é desprezível a esse ponto.

 

“Dr. Armonson stitched up her wrist wounds. Within five minutes of the transfusion he declared her out of danger. Chucking her under the chin, he said, “What are you doing here, honey? You’re not even old enough to know how bad life gets.” And it was then Cecilia gave orally what was to be her only form of suicide note, and a useless one at that, because she was going to live: “Obviously, Doctor,” she said, “you’ve never been a thirteen-year-old girl.”
– Jeffrey Eugenides, The Virgin Suicides

 

+
Hysteria and teenage girls (Hayley Krischer, The Hairpin, 15 mar. 2015)
Uma adolescente chamada Delírio (Lorena Piñeiro, Capitolina, 26 mar. 2015)
O primeiro dia internacional de fanworks (e uma conversa sobre fandom) (Gabriela Martins, Andam Falando, 16 fev. 2015)
Porque internet também é vida real (Sofia Soter, Capitolina, 26 fev. 2015)
http://www.stuffmomnevertoldyou.com/podcasts/teenyboppers-from-musicomaniacs-to-beliebers/”>Teenyboppers: from musicomaniacs to Beliebers (Stuff Mom Never Told You, 7 jan. 2015)
Why take Taylor Swift seriously? (Stuff Mom Never Told You, 5 jan. 2015)

Desafio #youcandoit: sétima semana

De maquiagem caprichada, arrasando no Karaokê. Foto via I Hate Flash.

De maquiagem caprichada, arrasando no Karaokê. Foto por Derek Mangabeira via I Hate Flash.

Talvez vocês tenham reparado que eu postei o desafio da sexta semana e… nada de resultado. E já é terça-feira. O que aconteceu foi que eu ia ao planetário no domingo, porque só tem sessão de cúpula no fim de semana, mas caiu um tremendo temporal e acabei ilhada na casa do meu pai até tarde. Como quero ir para pegar uma sessão de cúpula, terei que esperar até o próximo fim de semana, então decidi acumular dois desafios para a presente semana.

Depois de sortear o de hoje, me dei conta de que até dá pra fazer os dois numa tacada só, quem sabe?

DESAFIO #YOUCANDOIT #7: SE ARRUME E SAIA PARA SE DIVERTIR

A diversão em questão pode ser do tipo que você preferir: festas de noite inteira, um café de meio de tarde, uma visita à livraria, um jantar romântico… O importante é só se ater ao espírito da coisa: se vestir da forma que faz você se sentir mais incrível, e sair para fazer algo que considera mesmo divertido.

Fake it ‘til you make it: sobre fracasso, farsas e síndrome de impostor

Rainha incerta sobre o mérito à coroa.

Rainha incerta sobre o mérito à coroa.

Ontem (por razões inteiramente pessoais) acordei me sentindo um fracasso. Sabe, um daqueles dias em que a autoestima está no buraco, que você acha que o melhor era nem sair de casa pra não ter que ofender as pessoas com a sua existência, que nenhuma roupa veste bem, que você acha que precisa dar um 180 na vida porque parece que tudo até agora foi uma má ideia. Pois bem, foi bem desse jeito que eu acordei ontem. Aí fui lembrar que já era segunda, tinha passado a semana, e que eu não tinha conseguido completar o #youcandoit, que era simples e fácil e só exigia uma conexão de internet e no máximo duas horas de tempo livre. A sensação de fracasso só piorou: afinal, não sou nem capaz de ver um mísero filme que me comprometi a ver em qualquer momento de sete dias! Falei mais ou menos isso no post de ontem (acabei vendo o filme e não gostando muito), e quando fui postar no meu Facebook me ocorreu: que besteira associar fracasso a uma coisa dessas, né? Que besteira, honestamente, me sentir um fracasso por não ter duas horas livres para ver um filme.

Fui tentar recapitular na minha cabeça tudo de incrível que eu tinha feito durante a semana – as razões pelas quais simplesmente não dava muito pra ver um filme (ou dava, mas eu precisava dormir). Porque, vamos lá, eu tinha tido duas reuniões super importantes (e ainda levemente secretas), participado de uma feira de artes gráficas, tido um ótimo e importante jantar com minha tia, ido a Brasília para participar de um encontro de líderes nacionais, escrito dois textos pra Capitolina (e publicado mais um), feito uma prova de seleção pra pós-graduação, isso tudo depois de um fim de semana em que, dentre outras coisas, fui capa de jornal. Hoje – quando não acordei me sentindo um fracasso – leio essa lista e dá até vergonha de dizer que ontem eu estava me achando uma inútil. Mas ontem – quando acordei me sentindo um fracasso – a lista só me trouxe uma outra sensação ruim: não é que eu era um fracasso exatamente, mas que eu era uma farsa. De alguma forma mágica, tinha convencido toda essa galera – que lê a Capitolina, que me convida pra coisas incríveis, que me diz que eu sou maneira – de que eu era uma pessoa legal e interessante e capaz e poderosa, mas era tudo uma tremenda ilusão. Ou, pior, ninguém achava nada disso, mas eu tinha passado tanto tempo agindo como se eu fosse que a galera só devia ter achado mais fácil, educado e menos constrangedor fingir que eu estava certa, que nem com o imperador e sua roupa nova.

Diagnóstico certo: tinha batido a síndrome de impostor. Basicamente, síndrome de impostor é essa sensação que eu descrevi: mesmo com evidências claras de que você está fazendo coisas legais da vida, você tem certeza que seu único talento é misteriosamente enganar todo mundo porque, no fundo, você é uma farsa. É aquela sensação de quando alguém que você admira diz que te admira e você fica meio “huh mas eu? euzinha? naaaaah que besteira!”; ou quando você te selecionam para um trabalho/projeto/curso e você tem certeza que não pode ser porque tinha tanta gente incrível concorrendo; ou quando você recebe elogios e a reação é dizer “nem sou bonita, é só que fui no cabeleireiro ontem e fiz as unhas e é tudo ilusão da maquiagem”. Costuma bater em mim quando estou em um momento de muitas conquistas e alguma coisa me desestabiliza, por menor que seja: aí rola aquela voz sussurrando na minha cabeça questionando todas as conquistas (que sempre são maiores do que a besteira que me desestabilizou).

A internet está cheia de textos falando sobre o assunto, especialmente do ponto de vista de mulheres (e, num texto incrível, uma crítica super relevante sobre o privilégio de se identificar com essa crise passageira, já que mulheres negras, por exemplo, são permanentemente colocadas nessa posição). Isso tudo porque é esperado que mulheres fiquem quietas, se atenham a “seus lugares”, sejam subalternas; que tenham decoro, modéstia, doçura; que agradeçam por tudo, sejam um receptáculo passivo de acontecimentos, se mantenham silenciosas e sorridentes até alguém salvá-las e colocá-las no lugar certo. E aí, quando você pede coisas, quando se dá bem em algo em que se esforçou, quando oportunidades surgem pelo seu mérito, quando elogios são sinceros e não objetificantes, quando o que você deseja de fato acontece, você não sabe o que fazer. Você (eu) não foi treinada para isso, não aprendeu a reagir a essas situações. Você (eu) volta à modéstia, ao decoro, ao silêncio – agradece, se desculpa por existir, faz questão de dizer que não sabe por que está aí ou por que te acham boa e que espera estar à altura das expectativas. Você (eu) se sente incapaz numa esfera específica da vida e de repente acha que é incapaz em todas as outras: fiz algo errado no trabalho e portanto devo ser feia; olharam feio para minha roupa e portanto devo ser incompetente; levei um fora e portanto devo ser péssima cozinheira – qualquer relação sem sentido dessas parece real na hora.

Hoje acordei me sentindo menos inútil, consegui enxergar minhas conquistas com mais clareza, botei meu salto alto e meu batom vermelho e até experimentei um acessório diferente com um vestido que uso sempre, encarei o dia com mais confiança. Ainda pedi mais desculpas pela minha existência do que eu deveria, mas foi melhor. E foi melhor porque, depois de anos de me sentir impostora com frequência, fui acumulando mecanismos para me sentir melhor: desde a minha rede de apoio maravilhosa a objetos que me dão alguma segurança. E, principalmente, porque descobri que a solução aparentemente contraditória para a síndrome de impostor é… fingir para você mesma. Fake it ‘til you make it, mas para se convencer, e não convencer aos outros (afinal, né, os outros já estão convencidos). No meu caso, uma boa dose de Taylor Swift, Gossip Girl e este quadrinho da Tramp Gramma surtem o efeito motivador para começar o processo, mas varia de caso em caso. Não tenho solução mágica, mas fica aqui minha recomendação para quem está na mesma que eu: tente lembrar sempre das coisas maravilhosas que faz, aceite os elogios das pessoas que te rodeiam, e, em último caso, ouçam a música do vídeo abaixo, meu segredo mais mal-guardado para melhorar qualquer humor:

Desafio #youcandoit: sexta semana

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Depois do pequeno fracasso da última semana, já estou me programando para o cumprir o novo desafio no fim de semana.

DESAFIO #YOUCANDOIT #6: VÁ AO PLANETÁRIO

Felizmente, moro bastante perto do Planetário do Rio, que tem várias sessões de cúpula legais aos finais de semana, e tenho amigas que se autodeclaram do fã-clube do espaço, então companhia não faltará.

Se você quiser participar do desafio mas não tiver acesso fácil a um planetário, sugestões alternativas incluem ler os textos sobre espaço na seção de Tech & Games da Capitolina, assistir Cosmos (tem no Netflix!) ou ler um dos textos mais maravilhosos/aterrorizantes que li recentemente.