Mundo afora: Nova Orleans

Por-do-Sol visto do hotel.

Por-do-Sol visto do hotel.

Vista para o Mississippi, meio deprimente e desolada.

Vista para o Mississippi, meio deprimente e desolada.

Como falei nos últimos nem-sei-quantos posts, semana passada estava em Nova Orleans. Fiz a viagem para apresentar um artigo baseado na minha monografia de graduação, intitulado “‘An attempt to create an Islam that the French can accept’: a post-colonial study of race, gender and immigration in French laïcité”, em uma mesa sobre religião e gênero na ISA, uma mega conferência de Relações Internacionais. Arrumei uma mala cheia de roupas em branco, preto e navy, todas apropriadas para circular por aí com ares pelo menos um pouco profissionais, e passei a semana inteira andando de salto. O plano era aproveitar ao máximo a conferência, descansar, e descobrir um pouco dessa cidade sobre a qual eu não conhecia nada além de sua narrativa tradicional: Mardi Gras, voodoo, Katrina, jazz, casas mal-assombradas. Acabei voltando para casa com uma série de impressões sobre essa cidade que achei um tanto quanto peculiar. Não acho que vale a pena fazer um recap dia-por-dia da viagem, mas gostaria, mesmo assim, de compartilhar algumas coisas que fiz por lá, e algumas das impressões que tive, naquele meu formato já favorito: listas.

Com meu crachá, pronta para apresentar meu artigo!

Com meu crachá, pronta para apresentar o artigo!

Look Blair Waldorf season 1 para a conferência.

Look Blair Waldorf season 1 para a conferência.

O que fiz em Nova Orleans:

  • Aproveitei essa vida de hotel (fiquei no Hilton Riverside, dividindo quarto com amigas que também foram à conferência), coisa com a qual não estou habituada. Quando viajo, costumo ficar em casas de amigos, ou emprestadas, ou alugadas. Estar num hotel enorme, com academia (sim, fui à academia), lounge (que frequentei mais do que esperava), lojas, restaurantes, roupões macios e uma passagem escondida para dentro do shopping vizinho (!) foi uma experiência bem interessante.
  • Vi muito jazz ao vivo, na rua e nos bares e nos restaurantes. De todos os grupos que vi, o que mais gostei foi o The Royal Roses (até comprei CD).
  • Comi gumbo & jambalaya até dizer chega, e meu estômago está reclamando até agora da quantidade de carne e pimenta.
  • Também comi beignets e chocolate quente no Café du Monde até não aguentar mais (mentira, ainda aguento, se alguém quiser me trazer uns).
  • Apresentei meu artigo, apesar de muito nervosismo, e acabou dando tudo certo, fiquei feliz com a mesa, gostei de responder perguntas, e saí de lá bem satisfeita.
  • Vi mesas e painéis super interessantes na conferência, especialmente sobre narrativas, arte e gênero, e anotei páginas e mais páginas do meu caderninho com coisas que ainda estão me fazendo pensar e repensar.
  • Comprei uma penca de livros na feira de livros da conferência.
  • Caminhei bastante pelo French Quarter, único bairro que eu de fato visitei porque era próximo de onde eu estava, e eu precisava poder voltar rápido para o hotel para os eventos da conferência.
  • Encontrei amigos, e passei muito mais tempo com companhias e socializando do que normalmente passo.
  • Fiz algumas (poucas) compras porque, afinal, era uma semana mais ou menos de férias nos EUA, e o incentivo consumista por todos os cantos às vezes me pega.
1. Eu & Henrique; 2. Eu & Ana Paula.

1. Eu & Henrique; 2. Eu & Ana Paula.

Vendo jazz.

Vendo jazz.

Como prova fotográfica: eu na academia do hotel.

Como prova fotográfica: na academia do hotel.

Observações sobre a cidade (especialmente sobre o French Quarter):

  • Tem jacarés por todos os lados! Não só eles servem jacaré como comida em restaurante (não, eu não provei; me disseram que tem gosto de frango, mas eu nem gosto de frango), como tem jacarés empalhados em vitrines e lojas como decoração.
  • O French Quarter parece a Lapa, com feirinhas e lojinhas artesanais e turísticas durante o dia, e bar atrás de bar atrás de bar cheios de locais e turistas a noite toda. No Mardi Gras, então, era Rio de Janeiro puro aquele lugar.
  • Essa coisa consumista dos Estados Unidos continua me surpreendendo demais. Propagandas por todos os lados, entrada direta do hotel para dentro do shopping, lojas e mais lojas e produtos e mais produtos mesmo nos lugares mais inusitados.
  • Fiquei pessoalmente incomodada com a tendência a transformar tragédias históricas em produtos turísticos palatáveis: camisetas com piadinhas sobre furacões, tours turísticos por plantations, lojas de objetos de voodoo feitos para assustar e intrigar visitantes, tudo sanitizado e transformado.
  • A quantidade de moradores de rua é chocante. E também é chocante a quantidade deles que são jovens viajantes, aparentemente de origem economicamente confortável, com violões e cachorros.
  • Como é difícil encontrar cafés no French Quarter! Foram muitas voltas frustradas por quarteirões pedindo recomendações e fuçando no Yelp até irmos parar de volta na já familiar fila do Café du Monde, quando tudo que queríamos era um chá e um pão.
  • As porções de comida são todas enormes. Vai pedir uma salada porque não tá com tanta fome? Vai ser gigante. Um sanduíche? Também enorme. Um prato de macarrão? Nem aguento comer inteiro.
Camiseta humorística fazendo piadinha com evacuação de furacão (vai, é estranho, né?).

Camiseta humorística fazendo piadinha com evacuação de furacão (vai, é estranho, né?).

Beignets & chocolate quente. Aviso importante: o açúcar do beignet vai sujar sua roupa toda.

Beignets & chocolate quente. Aviso importante: o açúcar do beignet vai sujar sua roupa toda.

Um modesto bloco de Carnaval.

Um modesto bloco de Carnaval.

Algum de vocês, leitores teóricos-hipotéticos-imaginários do blog, conhece Nova Orleans? Recomendam uma nova visita com mais tempo para aproveitar a cidade?

Mais leituras: American Horror in New Orleans & There is no “e” in zombi which means there can be no you or we.

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Um comentário sobre “Mundo afora: Nova Orleans

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