Desafio #youcandoit: nona semana

Acho que pela primeira vez desde que comecei o #youcandoit, estou de fato postando isso na noite de domingo – é a vantagem de ter um feriado e conseguir escrever os resultados no sábado. Mas nem precisava dessa antecedência toda, porque o desafio não é tão complicado.

DESAFIO #YOUCANDOIT #9: OUÇA MÚSICAS QUE NUNCA OUVIU

Passei boa parte da minha adolescência baixando música sem parar. Tenho 3.0624 itens no meu iTunes no momento, mas hoje em dia só baixo quando é algo que quero mesmo ouvir. Só que, bem, obviamente nunca ouvi boa parte disso – o tempo de baixar as músicas é muito mais rápido do que o tempo de parar para ouvi-las todas. Portanto, estou bem animada para dar uma chance para elas esta semana! Tentarei não ouvir nada que já conheço, só coisas novas.

Se vocês (leitores hipotéticos-imaginários-etc.) decidirem participar do desafio, me contem o que ouviram de bom! Vou adorar conhecer ainda mais coisas novas.

You were never on your own: sobre One Direction, fãs e garotas adolescentes

One Direction, Parque dos Atletas, 8/5/14.

One Direction, Parque dos Atletas, 8/5/14.

Se você frequenta os mesmos círculos de internet que eu frequento, o assunto que mais viu hoje no Twitter foi a saída do Zayn Malik da boyband One Direction. Eu sou fã da banda (anetoda ilustrativa: fui de Pista VIP no show do Rio, enfrentando um engarrafamento de duas horas numa greve de ônibus) e recebi a notícia no caminho para o trabalho, quando a Verônica (minha companheira #1 de fangirling sobre One Direction) me telefonou para contar assim que soube. Na verdade, não fiquei tão surpresa – já estava na cara que isso ia acontecer –, e me afetou menos do que teria me afetado um ano atrás – estou menos investida na banda hoje em dia, especialmente porque fiquei bem decepcionada com o último CD (meu favorito é o terceiro, Midnight Memories, e senti que eles caíram de qualidade no Four). De qualquer forma, foi algo de certa importância pra mim, e teria sido de ainda maior importância um ou dois anos atrás, quando minha paixão pela banda estava em seu auge.

No entanto, mesmo que não fosse o caso, mesmo que eu não desse a mínima pra boybands, mesmo que eu nunca tivesse ouvido falar em Zayn Malik, mesmo que eu não ficasse super emocionada ouvindo “Through the dark”, eu ainda teria ficado irritadíssima com o que vi na internet: um monte de gente zoando as adolescentes que estavam sofrendo por isso, um monte de gente desprezando as fãs que estavam tristes, um monte de adulto achando que emoção de adolescente sobre membro de boyband é “frescura”. Felizmente, meu círculo da internet incluía muito mais gente se posicionando contra esse tipo de reação, mas só bater o olho nos comentários do post do Buzzfeed sobre as reações “dramáticas” das fãs já fez meu sangue ferver.

O que duas adultas fazem na pista VIP.

O que duas adultas fazem na pista VIP.

Existem, a meu ver, dois elementos muito presentes nesse tipo de reação negativa às emoções das fãs: um desprezo (bastante machista) de tudo que é feito por/para garotas adolescentes, e uma violência generacional contra os jovens “desta geração” – como se fossem tão diferentes dos jovens de gerações anteriores.

Um comentário no post do Buzzfeed dizia algo como “que vergonha dos jovens de hoje em dia”, e foi respondido com “bom, é bem parecido com a reação das fãs quando os Beatles acabaram, há décadas”. Porque, vamos lá, é mesmo. O surgimento da categoria “adolescente” é considerado bem recente, e atribuído a questões capitalistas mercadológicas, criando uma faixa idade intermediária entre a criança e o adulto com interesses de consumo específicos, mas adolescentes são adolescentes desde, bem, sempre – mesmo que, antes, fossem só “jovens”. Em A Hard Day’s Night, filme dos Beatles de 1964, hordas de garotas adolescentes correm e gritam e choram e desmaiam quando veem seus ídolos; em This is Us, filme do One Direction de 2013, hordas de garotas adolescentes correm e gritam e choram e desmaiam da mesma forma. Não é uma diferença generacional, não são “as adolescentes de hoje em dia”, os adolescentes da geração seguinte à sua não são piores do que você, agora adulto, quando adolescente. O que me incomoda ainda mais, na realidade, é quando esse discurso é reproduzido pelos próprios jovens: uma nostalgia por algo que não viveu, a ideia de que jovens “antigamente” eram os jovens “certos”, que jovens de hoje são “ridículos”, uma insatisfação com a própria condição de jovem, um claro reflexo de viver em um ambiente em que os adultos desprezam a sua geração.

Outros comentários – os mais frequentes – só desprezavam as adolescentes, ponto. Desprezavam a banda, desprezavam a reação aparentemente desproporcional. Desprezavam o fato de tudo isso ser por uma boyband (considerada musicalmente e culturalmente “inferior”), desprezavam o fato de as reações serem feitas de forma tipicamente feminina e adolescente – lágrimas, superexposição em redes sociais, declarações de amor elaboradas. Algumas pessoas no meu Twitter apontaram o óbvio: tem gente desprezando o sofrimento das garotas por One Direction, mas fazendo tatuagem de Breaking Bad; tem gente desprezando as fãs de uma boyband que estão chorando, mas chorando ainda mais quando o time de futebol perde um campeonato. Há uma discrepância clara entre o que é visto como algo vergonhoso e algo honroso para se ser fã, e a discrepância é baseada em um ponto: é vergonhoso gostar de algo cujo público principal é garotas adolescentes.

Garotas adolescentes são associadas a tudo que há de negativo na feminilidade e na juventude: fraqueza, impulsividade, instabilidade, ora cruéis e manipuladoras, ora frágeis e manipuláveis, ora sedutoras ninfomaníacas, ora inocentes submissas; mas sempre, sempre, sempre ligadas a vergonha, a ignorância, sempre vistas como exageradas cujas emoções e ações são porque “elas não sabem de nada”. Mas eu escrevo isso tudo para questionar por que características e sentimentos naturais, humanos, perfeitamente compreensíveis quando você, como garota adolescente, é pressionada dessa forma, são vistos como negativos, insignificantes, vergonhosos; por que qualquer associação ao ser-garota-adolescente é desprezível a esse ponto.

 

“Dr. Armonson stitched up her wrist wounds. Within five minutes of the transfusion he declared her out of danger. Chucking her under the chin, he said, “What are you doing here, honey? You’re not even old enough to know how bad life gets.” And it was then Cecilia gave orally what was to be her only form of suicide note, and a useless one at that, because she was going to live: “Obviously, Doctor,” she said, “you’ve never been a thirteen-year-old girl.”
– Jeffrey Eugenides, The Virgin Suicides

 

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Hysteria and teenage girls (Hayley Krischer, The Hairpin, 15 mar. 2015)
Uma adolescente chamada Delírio (Lorena Piñeiro, Capitolina, 26 mar. 2015)
O primeiro dia internacional de fanworks (e uma conversa sobre fandom) (Gabriela Martins, Andam Falando, 16 fev. 2015)
Porque internet também é vida real (Sofia Soter, Capitolina, 26 fev. 2015)
http://www.stuffmomnevertoldyou.com/podcasts/teenyboppers-from-musicomaniacs-to-beliebers/”>Teenyboppers: from musicomaniacs to Beliebers (Stuff Mom Never Told You, 7 jan. 2015)
Why take Taylor Swift seriously? (Stuff Mom Never Told You, 5 jan. 2015)

Resultados #youcandoit: quinta semana

Sinto informar que… eu falhei. O #youcandoit da semana passada parecia simples: ver um documentário de viagem. Só exigia uma conexão de internet e duas horas de tempo livre. Infelizmente, essas coisas não aconteceram ao mesmo tempo durante a semana inteira.

Tive uma das semanas mais cheias da minha vida: reuniões, uma viagem bate-e-volta pra Brasília, um fim de semana que não colaborou na categoria “vida pessoal”. É agora segunda de novo e meu corpo está pedindo para hibernar.

O que eu consegui fazer, na minha tentativa de cumprir o desafio, foi ver 50% de Craigslist Joe, que estava na categoria de documentários de viagem no Netflix então eu decidi que contava, apesar de não ser tão viajante assim. Estou vendo os outros 50% agora, enquanto escrevo o post.

CraigslistJoe

A premissa de Craigslist Joe é a seguinte: um cara, Joe, decide tentar passar um mês inteiro sem dinheiro próprio e sem contatos conhecidos, viajando e vivendo dos anúncios do Craigslist. Me lembrou um pouco do It chooses you, da Miranda July, projeto em que ela visitou pessoas que vendiam coisas em classificados do jornal, e registrou as visitas em livro. Mas Craigslist Joe não está me tocando tanto quanto o livro de Miranda July. Não sei a exata razão, mas há um certo incômodo no fato de que ele está fazendo tudo isso mas acompanhado de um cameraman que não é personagem, o que faz com que eu sinta que os outros personages estão agindo mais como em um reality show do que em um documentário (não que documentários sejam, claro, representações fiéis da realidade, ou não envolvam fios narrativos subjetivos, mas tem um quê mais forte de “atuação” no esquema deste filme). Parte do estranhamento talvez seja também porque o cartaz começa um um enorme “Zach Galifianakis presents”, quem sabe. De qualquer forma, na categoria “documentário de viagem”, não é muito interessante ou eficiente (mas, neste caso, culpo o Netflix).

Tentarei cumprir o desafio melhor esta semana, mesmo fora do prazo, só para sentir como se não tivesse falhado tanto – ou não cumprirei, aceitarei a derrota, e tentarei não me apegar, porque, né, o perfeccionismo precisa descansar um pouquinho.

Mas, de qualquer forma, de manhã (com um dia de atraso) sai o próximo desafio, que prometo tentar cumprir.

Recapitulando: Fev. 2015

PicMonkey Collage4

Fevereiro passou mais rápido do que eu esperava. Chegou dia 26, me dei conta de que já era o fim do mês (essa coisa de mês de 28 dias me deixa perdida), corri para resolver as últimas pendências (ou seja, escrevi uns cinco textos pelo menos nos últimos 3 dias). Passou rápido, mas também foi cheio para caramba. Comecei o #youcandoit aqui no blog, e consegui seguir os desafios até agora. Trabalhei à beça, como de costume. Fui a Nova Orleans (tô devendo post, mas prometo que daqui a pouco sai) fazer uma viagem meio estranha para apresentar um artigo numa conferência enorme de Relações Internacionais. A Capitolina saiu na Folha de S. Paulo, e os dias desde então vieram com chuvas de convites, propostas e possibilidades que ainda estou tentando processar (e com um bando de haters também, mas aí eu só sigo o método Taylor Swift). Escrevi para a revista sobre internet também ser irl e sobre fazer amizades, além das minhas já habituais listas de séries, livros, filmes e jogos e de links. Agora escrevo para vocês este pequeno e modesto resumo do que fiz em 28 dias muito cheios (e que, pelo que parece, foram menos cheios do que os próximos 31 serão).

Capitolina na Folha de S. Paulo! Foto por Babi.

Capitolina na Folha de S. Paulo! Foto por Babi.

LIVROS

Como no caso de janeiro, este meu mês foi meio desanimado nas leituras… até que eu fui pra Nova Orleans e comprei uns 20 livros e me empolguei de novo. Mesmo assim, li muito menos do que meu ritmo normal:

It had to be you, Cecily von Ziegesar
Estava estagnada nas minhas leituras, abrindo livros pra começar a largando logo depois, e num começo sincero de burnout de trabalho. Recorri, então, à minha cura mais eficiente: reler livros de Gossip Girl. Sou particularmente fã dessa prequel, escrita depois da série toda ser publicada, porque tem vários nods ao resto da história, e porque my one true love Blair Waldorf está cheia das inseguranças e struggling com a vida, como sempre, e surpreendentemente isso me reconforta.

&Sons, David Gilbert
Esse foi o livro no qual eu tava parada antes de pegar It had to be you pra reler, mas voltei pra ele quando acabei. É sobre dramas familiares e mundo editorial no Upper East Side, ou seja, right up my alley, mas acabei achando bem sem graça. Os dramas dos personagens principais não me tocaram, o narrador tem um certo potencial para Tom Ripley que não é completado, e lá pra página 200 a história toma um tom levemente fantástico/sci-fi que fica perdido.

Theory of international politics and zombies: revived edition, Daniel W. Drezner
Um dos livros que comprei na feira da ISA em Nova Orleans, e que eu estava curiosa pra ler direito fazia um tempo (já tinha dado uma olhada porque o namorado estava usando pra monografia, mas ainda não tinha parado pra ler). Joguei na bolsa de livros que carreguei comigo no voo de volta (sim, precisei de uma bolsa de mão só para livros) e li ele todo no avião. A premissa é simples: o autor pega várias teorias de Relações Internacionais e vê quais seriam as consequências de um apocalipse zumbi de acordo com cada teoria. O livro acaba sendo super divertido, e a melhor introdução básica para teorias de RI que eu já li. Se algum leitor-imaginário-hipotético desse blog estiver interessado em RI, recomendo muito ler esse livro pra ter uma noção simples de quais são as teorias principais do campo.

Nova Orleans.

Nova Orleans.

FILMES

Resolvi compensar os únicos dois filmes de janeiro e vi sete em fevereiro (fiquei especialmente motivada depois de abrir meu antigo Livejournal e ver que eu tinha assistido aproximadamente 50 filmes de janeiro a abril de 2012). Tudo bem que dos sete eu já tinha visto três, mas vale mesmo assim.

The Breakfast Club
Já vi esse filme uma porção de vezes, mas o namorado nunca tinha visto. Era um dia complicado para ele, e decidimos ver algo leve e fofo no Netflix. Resultado: The Breakfast Club e eu cantando muito empolgada quando tocava “Don’t you (forget about me)” e descobrindo que ainda me emociono sinceramente com o discurso final:

Dear Mr. Vernon, we accept the fact that we had to sacrifice a whole Saturday in detention for whatever it was we did wrong. But we think you’re crazy to make an essay telling you who we think we are. You see us as you want to see us – in the simplest terms, in the most convenient definitions. But what we found out is that each one of us is a brain, and an athlete, and a basket case, a princess, and a criminal. Does that answer your question? Sincerely yours, the Breakfast Club.

What If
Bateu uma vontade de comédia romântica, o Netflix não parava de me recomendar esse filme, e minha irmã tinha dito que era fofo. Então lá fui eu dar uma chance. Achei mesmo bem fofo, com Daniel Radcliffe e Zoe Kazan fazendo melhores amigos inevitavelmente apaixonados, mas o ponto alto para mim foi a química impressionante do Adam Driver e da Mackenzie Davis no papel do casal secundário.

Election
Tinha acabado What If mas a insônia prosseguia, aí foi hora de ver Election, que estava na minha lista há (literais) anos. Reese Whiterspoon como aluna obsessiva overachiever sem dimensão da realidade, Matthew Broderick como professor idealista que perde o controle e dramas escolares que no fundo acabam sendo mais darks do que parecem? Sign me up! Recomendo bastante para quem tem os mesmos gostos particulares do que eu para ficção.

The Devil Wears Prada
Mais uma noite de insônia e falta de motivação pro dia seguinte. Resolvi recorrer, então, ao sempre animador e motivacional The Devil Wears Prada. O resultado de ver Andie e Miranda em seus arcos de ascenção e queda, entretanto, foi mais bittersweet do que eu esperava, com muitas preocupações sobre a vida misturadas ao ímpeto de dominar o mundo como editora de uma revista de sucesso (mas, bem, talvez seja só culpa da insônia).

High Fidelity
Mais um que eu já tinha visto antes mas o namorado não tinha visto ainda. Apesar de ter o DVD, acho que fazia muito tempo desde a última vez que tinha assistido, e eu não lembrava de várias coisas. Fiquei com vontade de reler o livro, reencontrar Rob narrado por Nick Hornby. Fiquei com vontade, também, de rever mais filmes do John Cusack nessa época (como Serendipity, uma das minhas romcoms favoritas).

Horns
Comecei a ver em Nova Orleans, pausei, continuei uns dois dias depois, pausei, e terminei só depois de chegar no Rio. Talvez por isso tenha achado a diferença entre a primeira parte do filme e a segunda ainda mais gritante, de uma metade melancólica para uma violenta e cheia de gore. Já faz mais de um ano que li o livro, acho, então talvez eu também não lembrasse tão claramente dessa mudança radical de tom para o final. No fim das contas, a impressão maior que o filme deixou é que o Daniel Radcliffe até faz um sotaque americano simpático.

Only Lovers Left Alive
O que tenho a comentar sobre esse filme é uma sequência enorme de emojis de coração. Tilda Swinton? Check. Tilda Swinton como vampira maravilhosa, ainda por cima? Check. Tom Hiddleston de vampiro músico colecionador de guitarras deprimido? Check. Tangiers & Detroit comparadas e contrastadas? Check. Anton Yelchin roqueiro? Check. John Hurt como Kit Marlowe falando sobre Shakespeare? Check. Basicamente um monte de gente maravilhosa como vampiros roqueiros maravilhosos em cidades maravilhosas? Pois é.

1. Vendo The Breakfast Club; 2. Aniversário do avô; 3. Máscaras faciais e Pretty Little Liars com a irmã; 4. Namorado atacando ferozmente a pizza.

1. Vendo The Breakfast Club; 2. Aniversário do avô; 3. Máscaras faciais e Pretty Little Liars com a irmã; 4. Namorado atacando ferozmente a pizza.

LINKS: LONGREADS

Manifesto of the Committee to Abolish Outer Space (Sam Kriss, The New Inquiry, 2 fev. 2015): pessimismo, capitalismo, os males da sociedade e o espaço sideral.
“They showed us nebulae, big pink and blue clouds draped in braids of purple stars, always resolving themselves at the pace of cosmic infinity into genital forms, cocks and cunts light years wide. They superimposed puddle-thin quotes over these pictures, so that the galaxies could speak to you in the depths of your loneliness, whispering from across a trackless infinity that you’re so much better than everyone else, because you fucking love science. The words are lies, the colors are lies, the nebulae are lies. These images are collated and pigmented by computers; they’re not a scene you could ever see out the porthole of your spaceship. Space isn’t even ugly; it isn’t anything. It’s a dead black void scattered with a few grey rocks, and they crash into each other according to a precise mathematical senselessness until all that’s left is dust.”

My “Rocky Horror Picture Show” identity both proves and disproves the existence of the essential soul (Jade Sylvan, The Toast, 8 out. 2014): sobre Rocky Horror Picture Show, queerness, descobrimento e identidade.
“Me, I’ve always been Columbia. When I open my heart and allow a furtive peek into the innermost mansions of my ribcage’s interior castle, there is Columbia, flashing nip and engaging in rough, exhibitionistic grinding with bad-news biker, Eddie. Columbia is the impetuous bisexual slut in a suit of ten thousand sparkles tap-dancing along my nadis, spinning in shimmering, spastic vortexes and falling over gracelessly in each chakra. If I were standing at the liminal boundary between two mystic worlds, and in order to pass through the threshold I had to gaze into a magic mirror and confront my True Self, I would see, in that looking glass, a cloudy reflection of Columbia in torn flannel pajamas and Mickey Mouse ears, pining for a brilliant, beautiful narcissist as she barters for status with whatever charm and talent she can collect from the piecemeal hipster juggernaut of her high-pitched topple through spacetime.”

Can bondage play reduce anxiety? (Roni Jacobson, Science of Us, 3 fev. 2015): sobre subspace/topspace e como BDSM pode ser relaxante.
““We think that may be one of the things that functionally bottoming does for people,” Sagarin said. “It lets people let go for a while. You’re put in a position where you don’t have control and that is actually pretty freeing. You can just relax and go with it.” In other words, like meditation and certain forms of exercise (under the right conditions), subbing could induce states in which the part of your brain responsible for, say, writing intelligible work emails shuts down a bit, and as a result, other, more spiritual feelings of flow and connectedness take hold instead.”

Memes and Misogynoir (Laur M. Jackson, The Awl, 28 ago. 2014): sobre a interseção do racismo e da misoginia, e sobre a manifestação dos preconceitos em memes.
“Scholar Moya Bailey of Crunk Feminist Collective invented the term “misogynoir” to succinctly describe the anti-Black misogynist intersection of racism and misogyny that uniquely impacts the lived experiences of Black women. More than just a combination of those two oppressive regimes, misogynoir lives in a realm apart from general-use sexism—which often acts as a placeholder for strictly white women’s experiences with misogyny—and anti-Black racism that targets Black men. Misogynoir acknowledges that while white women have been fighting for the chance to prove themselves in the workplace, Black women are considered the workhorse of both white and Black America. Misogynoir explains why an eight-year-old Academy Award nominee can be called a “cunt” with nary a peep from white feminists, while Lil Wayne’s reference to Emmett Till is considered out of line, and “Rich as Fuck” makes the mainstream airwaves.”

Self-portraits of a lady (Monica Heisey, Rookie, 16 jan. 2015): sobre selfies que não publicamos, registro e nostalgia.
“We’re told that selfies are narcissistic, frivolous cries for help. But it doesn’t feel frivolous to bear witness to my body on a particular day of a transitory existence. It feels good! Still, the idea of anyone happening upon me, in my bathroom or bedroom or car, snapping pictures because I’m happy, trying something new hair-wise, or I just opened my phone and the app was there and, Hey, why not, is somewhat mortifying. I would, I think, feel very exposed. But exposed for what? For finding myself attractive? For being the opposite of that One Direction jibber-jabber: “You don’t know you’re beautiful / That’s what makes you beautiful”? Shut it, Harry. My ownership over the fact that I like my lips and hair and face (AND BUTT) makes me beautiful, and the photos on my phone are a testament to moments I felt my own beauty (or found beauty in some weird angle or part of me) and got to portray that exactly as I chose. I feel some embarrassment at the admission of their existence, but in the moment, the documenting of my body and life and youth feels like the most natural thing in the world.”

All my exes live in texts: why the social media generation never really breaks up (Maureen O’Connor, The Cut, 21 jul. 2013): sobre a impossibilidade de evitar ex-relacionamentos nas redes sociais.
“”There was a time, I am told, when exes lived in Texas and you could avoid them by moving to Tennessee. Cutting ties is no longer so easy—nor, I guess, do we really want it to be. We gorge ourselves on information about the lives of our exes. We can’t help ourselves. There’s the ex who “likes” everything you post. The ex who appears in automated birthday reminders. The ex who appears in your OkCupid matches. The ex whose musical taste you heed on Spotify. The ex whose new girlfriend sent a friend request. The ex you follow so you know how to win him back. The ex you follow so you know how to avoid her in person. The ex you watched deteriorate after the breakup. (Are you guilty or proud?) The ex who finally took your advice, after the breakup. (Are you frustrated or proud?) The ex whose new partner is exactly like you. (Are you flattered or creeped out?) The ex whose name appears as an autocorrection in your phone. (Are you sure you don’t talk about him incessantly? Word recognition suggests otherwise.) The ex whose new partner blogs about their sex life. The ex who still has your naked pictures. The ex who untagged every picture from your relationship. The ex you suspect is reading your e-mail. The ex you watch lead the life you’d dreamed of having together, but seeing it now, you’re so glad you didn’t.””

Me, myself and I (Olivia Laing, Aeon, 19 dez. 2012): sobre cidades e solidão.
“Something funny happens to people who are lonely. The lonelier they get, the less adept they become at navigating social currents. Loneliness grows around them, like mould or fur, a prophylactic that inhibits contact, no matter how badly contact is desired. Loneliness is accretive, extending and perpetuating itself. Once it becomes impacted, it isn’t easy to dislodge. When I think of its advance, an anchoress’s cell comes to mind, as does the exoskeleton of a gastropod.”

I love working with women and anyone else who isn’t a dude (Marianne, xoJane, 7 fev. 2015): sobre espaços de trabalho exclusivamente femininos.
“I want slumber parties, literal or figurative, where we have room to be vulnerable with each other without following it up with fear of what that vulnerability is going to cost. I want honest conversations. I want mentorships and requests for help. I want consideration for how we’re different even when our identities sometimes intersect — and I want that to be a strength rather than an excuse to tear each other down.”

The question of light: Tilda Swinton’s speech at the Mark Rothko Chapel (Tilda Swinton, Connerhabib’s blog, 27 jan. 2015): Tilda Swinton sobre arte, luz e escuridão.
“I believe that all great art holds the power to dissolve things: time, distance, difference, injustice, alienation, despair. I believe that all great art holds the power to mend things: join, comfort, inspire hope in fellowship, reconcile us to our selves. Art is good for my soul precisely because it reminds me that we have souls in the first place. We stand before a work of art and our spirit is lifted by it: amazing that someone is like us! We stand before a work of art and our spirit resists: amazing that someone is different!”

Capitalism [Dot] Blogspot [Dot] Com (Arabelle Sicardi, The Style Con, 3 fev. 2014): sobre bloggers de moda e responsabilidade social.
“It comes to this: fashion bloggers, a lot of us, are a bunch of sell-outs. This not because we’re not aware of implications of race and class and fashion in our own lives, but because internet culture is such that if fashion bloggers implicitly talk about race and politics on their blogs, they’re definitely going to lose money over it. Blogging is a business, and that money pays the rent more and more often. The fashion blogosphere as a democracy? Hardly: there are pied pipers and they’ve rolled out the contracts. Note the predominance of white, thin bloggers gaining the most traction with brand collaborations. Note, even, the number of them with legitimate modeling contracts as a result of their blogs. Fashion as a democracy is funny, because even if it started off very punk, very d.i.y, readership habits have valorized blogs that mimic and adopt the framework of the fashion system that kept bloggers at bay for years. Bloggers are on the industry payroll now, and it benefits us to keep quiet about things. I’d like to hope this is common knowledge, but perhaps it’s not.”

Red & Lipstick (Leesa Cross-Smith, Real Pants, 9 fev. 2015): sobre batom vermelho.
“There are all sorts of articles and tutorials called HOW TO WEAR RED LIPSTICK when the answer is actually quite simple: IF YOU WANT TO WEAR IT, PUT IT ON. There are articles “exposing” how different celebrity women look when they aren’t wearing their signature red lips/red lipstick. I think all women look beautiful in red lipstick. Beautiful, without. Whatever they want. But I love wearing it because even when I’m lazy and getting nothing done and don’t even leave the house, I have on red lipstick so I’m taking care of bidness. TCemeffingB.”

A bridge between love & lipstick (Arabelle Sicardi, Buzzfeed, 21 jan. 2015): sobre maquiagem, queerness e sobrevivência.
“Makeup is by no means natural. That’s the point. If I work hard to survive, you will pay attention when you see me, and you will see the work. Because it is work: to survive, when others would wish otherwise. They want us to disappear if we can’t be what they want. But beauty lets me see myself the way I need to be seen; it is redemptive in ways that I often don’t have the courage to be verbally. I let it speak for me, at least the preliminaries of getting to know me: This is weird, you might not like it, but if you do — come here, you see me as I am. Hello.”

I dated Christian Grey: how women are groomed for abuse (Samantha Field, The Mary Sue, 14 fev. 2015): sobre 50 shades of grey, romantização e normalização de abuso.
“Fifty Shades of Grey does to its audience what Christian does to Ana and what my rapist did to me: it completely resets our expectations and what we believe to be acceptable. Christian makes it clear to Ana and to us that he is narcissistic, controlling, violent, and demanding, and we are not permitted to expect anything more from him. So, in the rare moments when he is genuinely sweet (with “eat me” and “drink me” cards next to ibuprofen and orange juice, with champagne served out of tea cups) the audience oos and awws. In any other context, those things would be sweet, even adorable. But, when Christian Grey does it, it takes on a whole new meaning because Ana—and the audience—is being graced with crumbs of normalcy as if we should be grateful for them.”

Feminist writers are so besieged by online abuse that some have begun to retire (Michelle Goldberg, Washington Post, 20 fev. 2015): sobre abuso, exposição e os riscos e desafios de escrever sobre feminismo online.
“Feminists of the past faced angry critics, letters to the editor and even protests. But the incessant, violent, sneering, sexualized hatred their successors absorb is harder to escape. For women of color, racial abuse comes along with the sexism. “I have received racialized rape threats that I don’t think I would necessarily receive if I were white,” Wilson says. “A lot of things about anatomy — black women’s anatomy.” She talks about the online abuse in therapy. “There is trauma, especially related to the death and rape threats,” she says. Eventually, such sustained abuse ends up changing people — both how they live and how they work.”

O primeiro dia internacional de fanworks (e uma conversa sobre fandom) (Gabriela Martins, Andam Falando, 16 fev. 2015): sobre fandoms e as amizades que vêm deles (escrito pela Gabhi, que eu conheci, adivinhem?, através de fandoms).
“A palavra chave pra fandom é comunidade. Além de eu me desenvolver enquanto ser humano, ser romântico e ser sexual, descobrir o que eu gosto e o que eu não gosto através de leitura e escrever, eu ainda me desenvolvo enquanto ser social. Metade dos meus amigos no Facebook são pessoas desses primeiros fandoms, de mais de dez anos atrás. Essas amizades persistiram. Os interesses foram gradualmente mudando, fandoms foram sendo abandonados, mas e o que importava isso, se a amizade já estava mais do que bem cimentada? Tudo bem que nossas primeiras conversas eram todas em CAPSLOCK gritando sobre o como MEU DEUS OLHA O CABELO NOVO DO PIERRE EU VOU CHORAR MEU DEUS EU QUERO AQUELE HOMEM PRA MIM OU PRO DAVID NÃO TENHO CERTEZA, as conversas iam evoluindo para assuntos muito reais, medos, felicidades, tudo sendo compartilhado através de amizades, em boa parte virtuais, que transcenderam pro mundo real. Eu não consigo contar nos dedos das duas mãos quantas amigas “online” de fandoms eu já conheci pessoalmente, e mantenho um contato diário, que com muitas pessoas que eu conheci por outros meios, eu não mantenho. Existe uma certa mágica especial em olhar pra alguém, e saber que aquela pessoa já leu até aquela fan fic estranha de Wincest que tu escreveu com treze anos.”

Severus Snape is a complete twat and all this “tragic hero” nonsense needs to stop (Seriouslysiri, Nerds doing stuff, 11 fev. 2015): sobre a romantização do Snape em Harry Potter e como na verdade ele é um completo babaca. (Este link causou muita polêmica no meu Facebook, e estou sempre disposta a conversar sobre ele nos comentários.)
“None of the motivations behind Severus Snape’s actions throughout the course of his life qualify him for a heroic role. He is selfish, possessive, and worst of all obsessive, which makes him a relentless double agent with no morals to speak of. His reasoning is flawed at best and absolutely illogical at worst, and his inability to let go of the past and the friendship that he destroyed create a lack of direction with a single focus: somehow proving that he deserves Lily Evans. His actions after her death are solely for her benefit–he betrays Voldemort because he kills the woman he “loves” and cares for Harry because he has her eyes. He does half of these things poorly, and all with a horrible attitude. I do not believe he ever truly understands why he is not deserving of her affection. His backstory may be tragic, but that in no way excuses his actions.”

Love, anger and pride: How Ann-Marie MacDonald learned to let go of the past (Ann-Marie MacDonald, The Globe and Mail, 20 jun. 2014): sobre homofobia, famílias, amor e raiva.
“Self-hatred doesn’t just go away. It doesn’t just always get better, not on its own. The past grows inside you. Will it be a tumour or a story that can be shared and spread out across the sky? We need our stories. Remember who we are. Remember where we come from. Don’t skip over anything. Celebrate but never forget. I try every day to do the hard thing, the simple thing, which is to open my heart and change it. My mother said, “I wish you had cancer.” My mother said, “God bless you and Alisa. You are wonderful mothers.” There is a Roadrunner-Wile E. Coyote-sized canyon between those statements. A gap. I fell into it and hit bottom when I found myself about to hurt my child.”

Cumprindo os desafios #youcandoit.

Cumprindo os desafios #youcandoit.

LINKS: ÁUDIO & VÍDEO & ETC.

A brief history of teenage bedrooms in film (Buzzfeed, 13 jan. 2015): 100 quartos de adolescentes em filmes, representando de 1768 (Maria Antonieta) a 2062 (The Jetsons).

Politicians and hip hop: combo imagens de políticos ao longo da história + quotes de hip hop.

Recapitulando: Jan. 2015

1. Na piscina; 2. Gallette des rois; 3. Pintando o cabelo; 4. Inspirações para a Capitolina; 4. Dia de reis; 5. Compras do Autostraddle; 6. Andando de bicicleta; 7. A bagunça da cabeceira; 8. Na piscina.

 

Janeiro (e 2015) começou numa festa de ano novo em Santa Teresa, cercada de amigos novos e antigos, ao lado de algumas das pessoas mais especiais da minha vida. Janeiro envolveu tentativas de andar de bicicleta (bem sucedidas!), de jogar GTA (horrivelmente mal sucedidas), de virar a Taylor Swift (o cabelo pelo menos está no caminho certo) e de decidir o que fazer da minha vida (the jury’s still out on that one). Trabalhei sem parar, no meu dayjob, nos freelas, na Capitolina, mas por isso pude cortar e pintar meu cabelo, comprar um salto novo (como se eu precisasse de mais um), comprar e montar uma piscina inflável para suportar o calor carioca, e almoçar frequentemente em lugares gostosos que fazem eu me sentir bem. E até agora consegui cumprir uma das minhas resoluções pessoais de ano novo: voltar a escrever mais: na Capitolina falei de Taylor Swift com a Thais, de poder com a Clara, de Sailor Moon no meio de um monte de gente, um pouquinho de Gossip Girl, e de frustrações comigo mesma.

O próximo passo é escrever nesse blog algo além de listas (prometo que tenho um .doc aberto aqui com um texto em andamento), mas, por enquanto, cá está meu mês de janeiro, em listas:

LIVROS

Li muito menos do que de costume este mês, porque não encontrei tempo para investir em leituras. Dos três livros, um eu tinha começado em dezembro, um é acadêmico e um é uma releitura. Ou seja, nada muito inovador, né? De qualquer forma, eles são:

The bonfire of the vanities, Tom Wolfe
Comecei no final de dezembro achando que seria uma leitura mais rápida do que foi. Mas as 600 páginas do romance são densas, pingando de críticas sociais, arquétipos novaiorquinos e opulência do Upper East Side. Achei especialmente propício estar lendo um livro que é sobre racismo, injustiça e violência policial e o que constrói uma vítima ao olhar do público em um momento sociopolítico como o que vivemos agora.

Le genre, théorie et controverses, Laure Bereni & Mathieu Trachman (Ed.)
Demorei umas semanas pra matar o romance do Tom Wolfe, mas peguei um livro acadêmico sobre gênero em francês e terminei em uma noite de insônia. Vai entender, né? A coletânea é curta, e não reúne os textos mais úteis para alguém se iniciando nos estudos de gênero ou para alguém procurando algo mais teórico e abrangente; mas foi muito enriquecedora para mim, por conta dos comentários e estudos sobre como a teoria de gênero se manifesta na França, e sobre os debates feministas específicos de lá.

The secret history, Donna Tartt
Eu já falei sobre o quanto eu amo esse livro aqui, então vou ficar quieta dessa vez, mas preciso comentar a diferença da experiência de relê-lo. Da primeira vez que li, o caráter trágico – no sentido mais grego e tradicional – me marcou; mas, da segunda vez, a tristeza, a tragédia mais pontual e humana, me tocou muito mais. Acho que na primeira leitura eu ainda estava envolvida nas personas que os personagens criavam para eles mesmos, e ler já sabendo do que acontece fez com que tudo parecesse muito mais tocante e destruidor.

1. Teresa arrumando mala; 2. Show do Luiz Tatit e do Arrigo Barnabé; 3. Vovó coroada no Dia de Reis.

1. Teresa arrumando mala; 2. Show do Luiz Tatit e do Arrigo Barnabé; 3. Vovó coroada no Dia de Reis.

1. Vendo Netflix no sofá; 2. Prêmio concedido pela Clara; 3. Distrações na livraria.

1. Vendo Netflix no sofá; 2. Prêmio concedido pela Clara; 3. Distrações na livraria.

 

FILMES

Na época em que eu usava Livejournal, toda semana eu fazia uma lista de filmes que tinha visto. E eram tantos por semana, que agora eu me pergunto se não tinha mesmo algum superpoder de manipular o tempo. Hoje em dia vejo poucos filmes, e este mês foram só dois:

Girltrash: All night long (2014)
Refleti muito antes de ver esse filme, por conta das controvérsias relativas ao seu lançamento, mas o Netflix me sugeriu ele tantas vezes que não resisti. Acabei assistindo e enchendo o saco da Verônica por mensagem de tanto que gostei. É ridículo, é cafona demaaaaais, mas é uma comédia romântica musical lésbica, e tem a Tasha de The L Word no papel de uma criminosa badass, então foi impossível não adorar. Passei a semana seguinte com as músicas na cabeça (e, infelizmente, não consigo achar o CD pra baixar ou pra ouvir no Youtube).

Relatos Salvajes (2014)
Esse filme tá tão hypado que nem dá pra comentar sem falar tudo que já falaram antes de mim: é sim maravilhoso, é sim hilário, a cena do casamento é espetacular, a cena do avião também. Alguns relatos de vingança me tocaram mais do que outros, e achei um em particular (o que envolve dois homens numa estrada brigando por trânsito) bastante chato, mas de forma geral ver as vinganças violentas às pequenas indignações diárias foi surpreendentemente catártico.

1. Capitolindas no ano novo; 2. Capitolindas pós-ano novo; 3. Reunião de editoras da Capitolina; 4. #springbreakers

1. Capitolindas no ano novo; 2. Capitolindas pós-ano novo; 3. Reunião de editoras da Capitolina; 4. #springbreakers

 

LINKS: LONGREADS

Já que o roundup de links de 2014 fez sucesso, fica aqui o de janeiro de 2015:

Call it in (Estelle, Suzie X, Jamia and Lola, Rookie, 29 jan. 2015): sobre a importância e as dificuldades de apontar quando alguém está sendo ofensivo.
“That’s it: just the act of talking to another person can affect us in a bunch of different ways/bring up really interesting and important issues. In the amazing book Citizen, Claudia Rankine quotes Judith Butler: “We suffer from the condition of being addressable.” Language affects us, and is a way we affect others. But because of the multiplicity of ways we can engage with one another—in person, through email, and more flexible written mediums like Tumblr or Twitter—I feel like it’s also so easy to misspeak, hurt another person, and/or just plain fuck up.”

A rotina dos outros (Luiza Sposito Vilela, Guarda-Chuva, 27 jan. 2015): sobre home office, disciplina, e a grama mais verde do vizinho.
“Quer dizer, assim como é preciso entender muito bem de métrica para ser bom de verso livre, acho que é preciso de alguma ordem no caos para que seja possível perder a linha e liberar a criatividade. Por mais que a porraloquice beatnik seja atraente de um ponto de vista romântico, e que seja de fato importante viver muitas coisas para acumular histórias, tenho cada vez mais certeza de que a rotina só ajuda. Não precisa ser uma estrutura murakamiana, tipo acordar às 4h, escrever o dia todo, correr 10k e ir dormir às 21h, mas entender que a repetição é algo importante e que ela cria um ritmo meio encantatório.”

Powerful women and their “uniforms”: what I’ve learned (Lisa Miller, The Cut, 7 jan. 2015): sobre a performance estética de mulheres poderosas.
“The most successful work uniforms resolve, at least on the surface, a woman’s own inner conflicts about sex and power. Because that’s really the question, isn’t it? Dressing for the office is harder for women than it is for men — it is harder — because workplaces are still overwhelmingly run by men, and women, who compete for recognition under that male gaze, must decide how willing they are to be sexy at work. (For better or worse, the idea of a workforce uniformed in neutralizing “power suits,” armies of men and women decked out in shoulder pads and button-downs, never took off.) How much do you acknowledge to your subordinates and bosses that you have boobs; how much do you remind them with your wardrobe choices that the clothes you’ve put on in the morning sometimes come off? When faced with decisions about what to wear, women have to navigate these issues constantly and explicitly. Inside every woman’s mind runs an endless ticker: How much leg, how much waist, how much skin, how much ass, etc. Are you a Peggy, all self-serious, hiding your sexuality beneath a tweedy habit? Or are you a Joan, flaunting it, understanding that with sex comes power?”

“Sponsored” by my husband: Why it’s a problem that writers never talk about where their money comes from? (Ann Bauer, Salon, 25 jan. 2015): sobre privilégio, arte e ilusões de meritocracia.
“In my opinion, we do an enormous “let them eat cake” disservice to our community when we obfuscate the circumstances that help us write, publish and in some way succeed. I can’t claim the wealth of the first author (not even close); nor do I have the connections of the second. I don’t have their fame either. But I do have a huge advantage over the writer who is living paycheck to paycheck, or lonely and isolated, or dealing with a medical condition, or working a full-time job.”

Ty-Ty, Lena, Yonce and Jenna: no bullshite busines advice from babes you’d like to be BFFs with (Gala Darling, 26 jan. 2015): motivacional para #girlbosses por aí.
“This is YOUR TIME. “One day” and “someday” will never come. It’s so easy to get sucked into the cycle of safely doing what needs to be done, and then you’ll wake up, you’ll be 65, and your life will have passed you by. You may not feel like a bad bitch right now, but trust me, you are. If the people around you don’t make you feel awesome, go in search of people who do. Every single woman I spend time with is one who uplifts, inspires, and encourages me to be the best I can be. You deserve the same!”

“O B de LGBT poderia significar banana que ninguém se importaria” (Jarid Arraes, Forum, 22 jan. 2015): sobre invisibilidade bissexual.
“Para aqueles que precisam de algum apoio, Paulo César Góis lembra: “Não existe maneira correta de ser bissexual. Bissexual não é somente a pessoa que sente atração 50% por mulher e 50% por homem; estas sequer são as únicas possibilidades de gênero e certamente a sexualidade é muito complexa para ser definida dessa forma rasa e rígida”. Sua mensagem é, afinal, de encorajamento – algo que brota da luta genuína: “Se você é uma pessoa que reconhece em si mesma o potencial para se atrair por mais de um gênero, não se sinta com medo de usar a palavra com B. Não tenha medo de ser quem é. A vida é muito curta pra isso. Sim, é difícil — às vezes vêm golpes de onde a gente menos espera —, mas a liberdade também é gloriosa.””

Taylor Swift’s “Time” & “Businessweek” cover photos are powerful, assertive and different from the rest (Rachel Semigran, Bustle, 14 nov. 2014): sobre Taylor Swift como mulher de negócios vs. Taylor Swift como popstar.
“It didn’t take long before the Internet pointed out that the image of Swift on both is nearly identical, but that’s not what actually matters about the covers. What does matter is the fact that Swift appears on both covers with her face taking up the entire real estate. Her gaze is forward, directed right at the reader. It is the sort of cover that is more often reserved for men because it is a powerful and assertive image. More often than not, women are depicted on the covers of magazines showing off their sexy bodies, desirable fashion, and/or they’re very photoshopped, and look completely non-threatening. Take a close look the next time you’re a the magazine aisle at the grocery store and you might notice just how rarely women are looking directly at you without being completely sexualized.”

Em defesa da “cultura inútil” (Laura Pires, Medium, 31 jul. 2014): porque essa coisa de “cultura útil” x “cultura inútil” já cansou.
“Em época de BBB, é muito comum. Começam a brotar pelo Facebook frases do tipo “largue o BBB e vá ler um livro”, como se as duas atitudes fossem mutuamente excludentes. Quando se usa uma frase dessas, pressupõe-se que quem gosta de BBB não lê livros e vice-versa, e se está dizendo nas entrelinhas também que ler livros é uma atividade intelectual e cultural superior a assistir a reality shows.”

There are no cookies: Ten ways to take action as a trans ally (even if you’re also trans) (Mari Brighe, Autostraddle, 13 jan. 2015): um guia simples, claro e direto para aliados.
“Trans people are extremely grateful for our allies. You’re absolutely critical in helping us move our causes forward. That being said, don’t expect a constant outpouring of thank-yous for what you’re doing. Don’t get huffy if you don’t get hugs and cookies and rainbow glitter for every single thing you do as an ally. Don’t pout if you don’t get the “props” you deserve for the work you’re doing. And no, you don’t get a special ally flag. Allies don’t do their work because they want gratitude and recognition — they do it because they genuinely care about trans people and want to see the world improve for them. If seeing positive change isn’t enough of a motivator for you, then you’re failing as an ally. Furthermore, claiming to be an ally (and even doing some ally-like things) isn’t a shield from criticism, and it doesn’t absolve you of the fuck-ups you make when interacting with trans people or give you license to act like an asshole. If you do something shitty, you should still expect to get called out. You should not, under any circumstances, accuse trans people of “alienating allies” if they get upset with you over your screw-ups.”

This is not a startup story (Emily Gould, Fast Company, 10 out. 2014): sobre Emily Books, sucesso e negócios na internet.
“Startup stories usually begin in a garage and end in huge payouts, with funding round deals sprinkled throughout. Startup stories have clear lessons, firm distinctions between success and failure. This is not a startup story. As we make the decision about our company’s future, I’ve begun to look back on what we’ve learned, and what we’re still trying to figure out.”

MR Roundtable: Should blogs moderate comments? (Leandra Medine, Stella Bugbee, Amelia Diamond and Kate Barnett, Man Repeller, 9 jan. 2015): discussão relevante para todos que têm blogs/sites/produzem conteúdo online.
“Any time you’re getting a ton of reader engagement at a higher level, it’s great. We have a funny relationship with our commenters. There are some of them who are really hardcore and they come back all the time. We talk to them and we know that certain commenters are going to comment on certain stories directly to us in the same way over and over. But I don’t think that online (in general) commenters should have a right to say whatever they want. You should conduct yourself with all of the basic decency that you would in person.”

In an unequal world, mocking all serves the powerful (Saladin Ahmed, The New York Times, 11 jan. 2015): sobre o perigo do “equal-opportunity offender”.
“The question for writers and artists, then, is not whether we ought to limit ourselves, but how we already limit ourselves. In a field dominated by privileged voices, it’s not enough to say “Mock everyone!” In an unequal world, satire that mocks everyone equally ends up serving the powerful. And in the context of brutal inequality, it is worth at least asking what preexisting injuries we are adding our insults to.”

Why the McKanye feud is bad for everyone (Craig Jenkins, Vulture, 9 jan. 2015): sobre o ridículo do backlash da colaboração West/McCartney.
“”And the assumption that pillars of middle-aged Caucasian culture are pillars of all the nation’s culture is rooted in dismissive arrogance. Failure to comprehend the existence of an American experience that doesn’t involve the Beatles almost validates the anti-McCartney pushback as a critique of an exclusionary culture. Is it really that weird for younger Kanye fans to be unfamiliar with a man whose band broke up 45 years ago? (…) It’s funny: West spent the better part of a calendar year threatening to gate-crash high society with his last album, 2013’s Yeezus. With “Only One,” the coup has arrived, and it’s surprisingly pretty. Can we at least agree on that?””

Adrian Petersen and what our fathers did to us: we have not turned out just fine (Jeb Lund, The Guardian, 17 set. 2014): sobre violência doméstica e disciplina por violência física.
“Or you find yourself at a college football party last weekend, and Adrian Peterson comes up, and a woman from out of town asks, “Do people in the south really do that still? How does it stop?” And a dude in his early thirties who looks like a 6ft-3in brick wall says, “Everyone on my block did that. It stops as soon as they realize you might be able to beat their ass just as good.” And without thinking about it, you kill the party for the next two minutes by saying, “It’s not just the south. I grew up in San Francisco. Sometimes nobody winds up bigger or stronger. Sometimes it stops because you move out. Or because you realize that if both of you don’t grow up, one of you is going to die.””

The subtle art of not giving a fuck (Mark Manson, 8 jan. 2015): motivacional bem-humorado com a maior concentração da palavra “fuck” que eu já li.
“In life, our fucks must be spent on something. There really is no such thing as not giving a fuck. The question is simply how we each choose to allot our fucks. You only get a limited amount of fucks to give over your lifetime, so you must spend them with care. As my father used to say, “Fucks don’t grow on trees, Mark.” OK, he never actually said that. But fuck it, pretend like he did. The point is that fucks have to be earned and then invested wisely. Fucks are cultivated like a beautiful fucking garden, where if you fuck shit up and the fucks get fucked, then you’ve fucking fucked your fucks all the fuck up.”

The genius of Taylor Swift’s girlfriend collection (Anne Helen Petersen, Buzzfeed, 7 jan. 2015): sobre performatividade em mídias sociais, Taylor Swift e construção de persona.
“Certainly she hasn’t made friendship uncool. It’s simply that the friends Swift chooses to present to the world serve to support crucial, carefully crafted components of Swift’s image. She isn’t coldhearted or utilitarian in her friendship so much as savvy to the ways in which the production of celebrity is, at its heart, utilitarian — and it takes a lot of labor to make something as manufactured as a celebrity image look as natural as Taylor Swift and Lorde on a beach, just being the wacky and carefree young women that they are.”

Rebel Girls: waiter, there’s some theory in my gender (Carmen Rios, Autostraddle, 7 jan. 2015): uma boa introdução aos estudos de gênero.
“Gender is one of the first things I studied in women’s studies that really opened my eyes to how we’re socialized, as people, to become cogs in the big machine that is our society. Once you realize the truth about gender, you start to see the truth in a lot of other things. (Coincidentally, a lot of other things are related to the concept of gender, like, ummm, patriarchy, heterosexism, and misogyny.) And the truth about gender is that it’s pretty much a fairytale our culture has made up over time in order to sleep well at night thinking it understands the world.”

Lessons of mortality and immortality from my father, Carl Sagan (Sasha Sagan, The Cut, 15 abr. 2014): sobre aprender que “we are star stuff” desde criança.
““You are alive right this second. That is an amazing thing,” they told me. When you consider the nearly infinite number of forks in the road that lead to any single person being born, they said, you must be grateful that you’re you at this very second. Think of the enormous number of potential alternate universes where, for example, your great-great-grandparents never meet and you never come to be. Moreover, you have the pleasure of living on a planet where you have evolved to breathe the air, drink the water, and love the warmth of the closest star. You’re connected to the generations through DNA — and, even farther back, to the universe, because every cell in your body was cooked in the hearts of stars. We are star stuff, my dad famously said, and he made me feel that way.”

On turning 30 (Molly Crabapple, Vice, 27 jan. 2014): sobre crescer e envelhecer como mulher.
“Innocence is not doing. Not running off to New York. Not drinking whiskey till 4 AM. Not fucking that boy or girl because they make your heart scream electric, then waking up unpunished the next day. Not hacking a system rigged against you. Innocence is a relic of a time when women had the same legal status as children. Innocence is beneficial to your owner. It benefits you not at all.”

True confessions of a former “cool girl” (Abby Rosmarin, Hello Giggles, 4 nov. 2014): sobre cool girls.
“The frightening part was that, the older I got, the more I started to wake up to my Cool Girl shtick, and the more I feared deviating from it. At that point, I had seen guys in my life conveniently leave just as cracks started to appear in my veneer and genuine emotion had shined through. Never mind the fact that these guys were already treating me terribly, even while I was pretending to be totally low-maintenance. Rather than focusing on how I deserved to be treated, I’d focus on how I ruined everything by being so uncool and everything I had to do to avoid falling into the same uncool traps with the next guy.”

“In which we can feel the horses long before horses enter the scene”: Girl geniuses (Ann Friedman, This recording, 14 mar. 2011): sobre Patti Smith e mulheres artistas.
“Women’s support for other women doesn’t typically come with baggage of this size and shape. This is why it’s important for us to believe in each other – I mean, really believe in each other. To tell each other to stop punishing ourselves when, after years of pursuing our passion but still calling it a hobby, we remain unconvinced of our own power and ability.”

Raisin, my four-year-old role model (Scaachi Koul, The Hairpin, 2 jan. 2015): sobre famílias, poder e a surpreendente autoconfiança das crianças.
“I’m an adult. People keep telling me I’m an adult. I always figured that with adulthood came the ability to stand up to your parents, but I still haven’t been able to calibrate this. I’m home for the holidays right now, engaging in another Cold War with my dad. He started giving me the silent treatment 42 hours into my trip. I’m still not sure why, but instead of shrugging him off, I’m furious that he manages to wield unfair control over my emotions.”

Caitlin (Caitlin Stasey, Herself., 4 jan. 2015): parte do lindo projeto Herself., da atriz/artistsa Caitlin Stasey, com entrevistas com mulheres acompanhadas por fotos nuas livres do male gaze.
“When did you become aware of your gender?
It was always thrust upon me. I never had an awakening, it was just understood that I was born cisgendered so there was never any turmoil over my sexuality or upset. I was given gender-neutral toys but for the most part I opted for barbies, toy kitchens, lovely little dresses; the only truly non-gendered items I loved were art supplies (although the reason I became interested in art was because it was the only way I could access images of naked women without question!). I was a HUGE girly girl save for my Blundstone boots. I was always wearing a tutu & these heavy duty workman’s boots. The simple reason being that I did NOT care for shoelace tying and my Blundstones were incredibly comfy. I’ve worn them consistently all my life.”

Pretty Little Liars Episode 514 recap: The Long Goodbye (Heather Hogan, Autostraddle, 8 jan. 2015): sim, incluí um recap do episódio 5×14 de Pretty Little Liars, porque a Heather Hogan sempre captura a força emocional da série como ninguém, e eu prossigo na minha missão de vida de convencer todo mundo a ver esse programa maravilhoso.
“But she did come out. And she let herself be around (and under and on top of and all over) Emily. And she left, on her own terms, to swim again, on a scholarship at one of the most prestigious universities in the country. The message the world projects at us from every platform at all times always is that nothing we do as women matters, because we will always be victims, because someone else will always being making our decisions for us. That is the theme Pretty Little Liars explores more than anything, and that is the game Paige McCullers won. She fought the monster that made her a monster, and she, alone, decided to stop punching at the echos and screaming at the wind.”

Self-care and survival: an interview with Janet Mock (Fariha Roisin, The Hairpin, 13 jan. 2015): sobre self-care, amor próprio e conexões.
“I think self-care is something deliberate, something that I do to take care of myself in a world that tells me I shouldn’t necessarily exist. That my body and my identity don’t necessarily matter—especially in systems that weren’t built for me to really thrive. We can say that the ways in which we survive are ways in which we take care of ourselves—but I don’t really think that’s care—that’s us trying to survive in systems that weren’t built for us.”

LINKS: VÍDEO & ÁUDIO

Why take Taylor Swift seriously (Stuff Mom Never Told You, 5 jan. 2015): sobre como a Taylor Swift é maravilhosa (não sei se vocês já reparam, mas ela é meu novo role model).

If you don’t have anything nice to say, SAY IT IN ALL CAPS (This American Life, 23 jan. 2015): sobre trolls na internet, com um primeiro ato muito emocionante da Lindy West.