TRUSTNO1: sobre primeiro de abril

Aviso logo que, neste post, serei chata. Fui chamada de chata a vida toda, já estou acostumada, e se acharem catártico me chamar de chata nos comentários fiquem à vontade. Já aceitei que certas coisas que digo/penso/faço são consideradas um saco por um monte de gente, mas acredito mesmo nelas então opto por continuar sendo assim. Então, ó, fiquem avisados: sou chata, o post vai ser chato, vou reclamar um monte, se não quiserem me aguentar reclamando um monte podem fechar a janela e voltar pro próximo post, que será mais legal. Tá de boa.

A parada é a seguinte: eu odeio primeiro de abril. Talvez vocês já saibam, por conta da Capitolina, que eu detesto segredos, frustrações e surpresas. Tenho horror a ser enganada, me sinto terrível que escondam coisas de mim, e festa surpresa é meu pior pesadelo (sério, imaginem só: chego em casa exausta, quero minha cama e um livro, aí me aparecem com uma festa, assim sem mais nem menos?). É de se esperar, então, que eu odeie pegadinhas e mentiras de primeiro de abril, desde os links na internet que quando você clica são só piada, às coisas mirabolantes que pessoas inventam para você acreditar e rirem da sua cara depois.

Existir no mundo já exige uma certa dose de desconfiança. Você vai aprendendo, com o tempo, a saber em quem e no que confiar, e mesmo assim essa confiança é ganha aos poucos, em diversos aspectos: o amigo que vai te dar conselhos sinceros, a revista que tem informações úteis, o cliente que te paga sempre em dia. Mas aí eis que chega o primeiro de abril e todas essas pessoas ganham um passe livre para… não serem mais confiáveis. Toda a confiança que foi construída aí deve ser subitamente ignorada por 24h, e retornar ao normal no dia seguinte. Como se fosse todo mundo café com leite, como se uma quebra de confiança “de brincadeira” fosse totalmente inofensiva. Por que, inclusive, essas pessoas gostam da ideia de poder mentir, enganar e fazer piadas às custas dos outros, mesmo que não façam todos os dias? Elas são constrangidas por pressão social a serem confiáveis, mas na hora que dizem para elas que por um dia elas podem ser enganosas elas aceitam a oportunidade? Não é, no mínimo, estranho? Eu, pessoalmente, prefiro não enganar pessoas, ou rir da cara delas, assim, de forma geral.

Mas tudo bem, pessoas se divertem fazendo coisas que eu não acho divertidas. Desde que a pessoa fazendo a pegadinha saiba que a pessoa “caindo” na pegadinha gosta desse tipo de humor, tudo certo – diversão consensual é ótimo. O que acontece, no entanto, no primeiro de abril, é que há uma liberdade geral para pegadinhas sem preocupação com o “alvo”, especialmente na internet. Se você posta uma notícia falsa, ou se você, no seu Facebook, conta algo importante sobre sua vida que não é verdade, isso tem um impacto nas pessoas lendo – você não pode pressupor que todo mundo vai achar engraçadinho quando você revelar que era só uma piada, especialmente as pessoas mais próximas a você, especialmente se a notícia que você deu (seja em um jornal ou uma notícia pessoal no Facebook) teria – caso fosse real – consequências grandes. Postar na internet “OMG, estou grávida!” para depois contar para todo mundo que era brincadeira não só é inteiramente sem graça, como pode impactar pessoas: imagine sua tia lendo o post, correndo para ligar para todo mundo que conhece, e você passando os próximos três meses tendo que explicar para todo mundo que era só uma piada? Além do mais, se uma amiga próxima dá uma notícia dessas, eu me preocupo, quero poder parabenizar a pessoa se era isso que ela desejava, quero poder ajudar se necessário, e é horrível sentir que a sua preocupação não só era por nada – era porque a pessoa estava mentindo.

Entendo e respeito que para muitos isso pode parecer exagero. De qualquer forma, continuo achando a coisa mais bizarra ver graça em enganar um outro, rir de alguém por confiar em você – alguém cuja confiança você conquistou durante o tempo de amizade. E só a ideia de um dia inteiro em que não posso confiar em nada nem ninguém me faz querer fingir que o dia não existe, e me esconder debaixo das cobertas sozinha com o Netflix.

Recapitulando: Mar. 2015

1. Esbanjando dinheiro ganho no páreo; 2. curtindo uma festa na cozinha; 3. poderosa com meu quadrinho da Margaret Atwood.

1. Esbanjando dinheiro ganho no páreo; 2. curtindo uma festa na cozinha; 3. poderosa com meu quadrinho da Margaret Atwood.

A vida anda cheia, cheia, cheia. Ando levando tanto susto com a passagem do tempo que tive que reler meu post recapitulando fevereiro para identificar quando acabou um mês e começou o outro. Pelo menos agora eu consegui, finalmente, o refil da minha agenda, então ficará mais fácil organizar compromissos futuros e lembrar dos passados. Consultando minhas assistências de memória (agenda, Facebook, Instagram, posts no blog), até me assustei com tudo que fiz em março. Em primeiro lugar, fui a muitas reuniões, para conversar sobre um projeto da Capitolina que espero poder noticiar muito em breve; por enquanto são reuniões, e-mails e telefonemas por todos os lados, mas algo deve se acertar logo. Ainda por conta da Capitolina, fui vender cartões postais na Semana do Dia Internacional da Mulher da PUC-Rio, fui a Brasília para o I Encontro de Líderes Nacionais do CAF, e participei da mesa Trocando em Miúdos: Influência da Cultura Pop no Feminismo e seus Desafios, também na PUC-Rio, e, bem, fui capa do jornal O Dia! No quesito escrita, a produção continua prolixa: para a Capitolina, postei sobre o mito da histeria feminina, sobre mulheres sociopatas na ficção, sobre histeria em massa, sobre mitos comuns a respeito de sexo, e um texto bastante pessoal sobre depressão, ansiedade e a necessidade de procurar ajuda, além de um texto pro Tumblr da revista sobre romantização de abuso na ficção.

1. Com a capa d'O dia; 2. falando na PUC; 3. vendendo cartões postais; 4. no Encontro de Líderes Nacionais em Brasília.

1. Com a capa d’O dia; 2. falando na PUC; 3. vendendo cartões postais; 4. no Encontro de Líderes Nacionais em Brasília.

O fim do mês está sendo especialmente movimentado – muitas decisões a tomar, muita urgência para tomá-las –, e espero trazer boas novidades no post de recapitular abril. Até porque abril é um mês que promete: é aniversário de um ano da Capitolina, e temos comemorações planejadas, além de muitas expectativas e coisas sendo acordadas para o futuro próximo.

LIVROS

Ando estranhamento desanimada para ler – acho que o cérebro está pifando de tanto trabalhar. De qualquer forma, consegui ler algumas coisas que gostei em março.

Trigger Warning: short fictions and disturbances, Neil Gaiman
Melhor livro do mês, e também o que li com mais expectativa. Sou muito fã do Neil Gaiman, leio tudo dele que posso, e estava ansiosamente aguardando o lançamento de seu novo livro de contos. Comprei em hardcover por um preço salgado no aeroporto de Nova Orleans, e comecei a ler assim que possível. Nem sei muito o que dizer, porque Neil Gaiman é sempre Neil Gaiman, e, mesmo em um livro em que a conexão entre os textos é vaga, tudo que ele escreve é lindo (inclusive, e especialmente, a própria introdução para esse volume, em que ele fala sobre triggers, segurança, e explica um pouco sobre cada texto incluído). Acho que meu conto favorito talvez seja o último, “Black Dog”, uma história com Shadow, protagonista do maravilhoso American Gods.

La théorie du genre ou Le monde rêvé des anges: essai, Bérénice Levet
Estava me arrastando para ler esse livro desde o meio de fevereiro, mas consegui terminá-lo no começo de março. Em muitos momentos, considerei largá-lo, mas tenho enorme dificuldade em abandonar livros no meio. Considerei largá-lo porque lê-lo estava sendo complicado, não por dureza do texto, mas por discordar fundamentalmente da autora em sua teoria – enquanto ela tenta, no livro, criticar a teoria de gênero francesa (que ela mistura entre feminista e queer, de forma pouco clara), eu me identifico como feminista e com a teoria queer, e foi uma leitura desconcertante. Entretanto, fico feliz de ter lido – acho importante estudar teoria de ângulos e opiniões diferentes, acho que enriquece minhas reflexões.

Writing on the wall – Social media: the first 2,000 years, Tom Standage
Mais um livro de não-ficção, mais uma aquisição de Nova Orleans. A base da tese de Tom Standage é uma com a qual concordo inteiramente: o sistema de redes sociais é repetido historicamente desde, bem, sempre, e muito do que hoje em dia se atribui à internet ou “a esses jovens” ou aos “millenials” na verdade é recorrente há séculos (milênios, até). Para comprovar essa tese, o autor explora sistemas antigos de redes sociais, passando pela Roma Antiga, pela Grécia Antiga, pela Inglaterra vitoriana, pelas comunicações da Igreja Católica… Confesso que depois da metade estava ficando cansada, pois as situações se repetiam demais, mas o mote é interessantíssimo, e vale muito a pena ler para entender o quanto as ferramentas mudam mas certas bases de interação e necessidades sociais se reproduzem.

Ash, Malinda Lo
Já gostava da Malinda Lo pelos livros de sci-fi Adaptation e Inheritance, mas gostei ainda mais de Ash, uma releitura de Cinderella, mas com um enfoque mais triste, pesado, e com uma diferença fundamental do romance. Ash, a protagonista, é bissexual, e acaba dividida entre um fada maravilhoso que a protegeu com sua mágica, e uma caçadora que a ensina a criar independência – enquanto isso, sua madrasta cruel e suas terríveis irmãs postiças se degladiam pelo príncipe, mas Ash não quer nem saber da vida de princesa.

Retratos do cansaço.

Retratos do cansaço.

FILMES

Voltei pro ritmo ridículo de janeiro, e só vi dois filmes em março. Consegui, pelo menos, ver um monte de séries (inclusive a temporada toda de Unbreakable Kimmy Schmidt de uma tacada só, e a season finale super emocionante de Pretty Little Liars), mas no quesito filmes deixei a desejar.

Sabrina
A insônia, aquela fiel companheira, grudou em mim para não largar durante o mês inteiro. Numa noite especialmente difícil, decidi que a única solução era um filme já familiar no Netflix, um sem muitas emoções visuais ou narrativas. Acabei em Sabrina, porque Audrey Hepburn é sempre eficiente para me acalmar. Mas filme para dormir na insônia não é filme para assistir direito, então me sinto até mal incluindo na lista.

Craigslist Joe
Vi Craigslist Joe para o #youcandoit, não gostei tanto assim, e expliquei melhor aqui. Tentando falar dele de novo nessa lista, tudo que tenho a acrescentar é que sou (e sempre serei) incapaz de escrever Craigslist certo na primeira tentativa.

1. Na sessão de fotos pr'O Dia; 2. diversão no Google Hangout; 3. rodízio japonês merecido; 4. aproveitando a presença da Clara.

1. Na sessão de fotos pr’O Dia; 2. diversão no Google Hangout; 3. rodízio japonês merecido; 4. aproveitando a presença da Clara.

LINKS: LONGREADS

The epidemic of facelessness (Stephen Marche, The NY Times, 14 fev. 2015): sobre anonimato, massa e empatia.
“Without a face, the self can form only with the rejection of all otherness, with a generalized, all-purpose contempt — a contempt that is so vacuous because it is so vague, and so ferocious because it is so vacuous. A world stripped of faces is a world stripped, not merely of ethics, but of the biological and cultural foundations of ethics.”

Como ser amiga de outras mulheres (Roxane Gay, traduzido por Taís Bravo em Lendo Mulheres em 2014, 8 mar. 2015): sobre amizade vs. competitividade.
“Abandone o mito cultural que todas as amizades femininas são tóxicas e competitivas. Esse mito é como saltos e bolsas, bonito mas feito para desacelerar mulheres.”

Neste Dia das Mulheres, vamos defender nossa voz e combater o medo (Martha Lopes, Brasilpost, 6 mar. 2015): sobre medo e força.
“Então, neste Dia das Mulheres, meu desejo é um só: que tenhamos força. Vamos olhar para as mulheres que estão sendo intimidadas e vamos acolhê-las. Essas mulheres precisam ter voz – por elas e pelas muitas outras que elas representam. Vamos nos unir e nos defender – não só nós, mulheres, mas nós, sociedade como um todo. É urgente.”

Advice I would give my teen self (org. Aimee Cliff, Dazed, 6 mar. 2015): conselhos, dos mais variados, para seu eu adolescente.
“Dare, dare, dare to be yourself.”

A gente não precisa de flores, precisa de respeito (Pollyanna, Girls With Style, 6 mar. 2015): sobre a real importância do 8 de março.
“As flores que os comerciantes entregam as mulheres nas ruas não me diz nada. As homenagens toscas que a mídia faz sempre usando alguma caricatura do que se entende por ser mulher também não me diz nada. Nem toda mulher é mãe, nem toda mulher é fofa, nem toda mulher gosta de homens, nem toda mulher anda de salto, nem toda mulher usa batom vermelho, nem toda mulher tem TPM, nem toda mulher usa saia, nem toda mulher atende ao que o capitalismo espera que uma mulher seja pra que ele continue ganhando rios de dinheiro em cima de nossas inseguranças e corpos. O que toda mulher quer é respeito e esse dia deveria ser mais usado para lembrar isso.”

7 milhões de dúvidas (Jana Rosa, 6 mar. 2015): sobre dúvidas, escolhas, e tudo que eu tenho pensado nos últimos meses.
“Como dizer isso de uma forma simples? Não faço ideia do que quero fazer dessa minha vida. Morar com surfistas no Equador, muito sedutor o convite, mas o que eu faria enquanto isso? Surfaria também ou serviria caipirinhas para o pessoal que ficou na areia? Viajar para sempre – mesmo que eu tivesse dinheiro – perderia o sentido no segundo dia, porque eu precisaria de uma função maior na vida, do que só fazer check in e check out e beber cerveja com francesinhos de 23 anos e conversar sobre como o Carnaval é “algo que você nunca viu e não se arrependerá em conhecer”.”

Bringing a daughter back from the brink with poems (Betsy MacWhinney, The New York Times, 26 fev. 2015): sobre ser mãe, ser adolescente, e o poder da poesia.
“A few years ago, she was interviewed to join a group of students on a long trip to Sierra Leone. The professor explained that it was likely to be a very difficult time, far from home, with physical and mental hardship. “What would you do,” he asked Marisa, “if you get to the abyss, and it begins talking?” “Well,” she replied, “I would have a lot of questions for the abyss, indeed.””

Kim Kardashian: model, actress, mogul, fashionista, wife, mother, lover, coder (Jazmine Hughes, The Hairpin, 3 mar. 2015): sobre o poder da Kim Kardashian.
“Kim serves as our sort of real-life Barbie in that she’s constantly dismissed for her supposed superficiality, but so rarely do we turn that analysis inward and ask ourselves why we’re being so superficial in our assessment of Kim Kardashian. She’s not presenting herself as just-another-pretty-face, so it is insufficient to read her as such. If Kim has turned the very thing that set out to destroy her—a private sex tape that was stolen from her and released without her knowledge—into the thing that cashes her checks, what lesson is to be gleaned from that besides I can control what once threatened me?”

The unified theory of Ophelia: on women, writing, and mental illness (B.N. Harrison, The Toast, 3 mar. 2015): sobre Shakespeare, mulheres artistas e sofrimento.
“A few years ago I did a line-by-line analysis of Hamlet on my old LiveJournal, and when I came to Ophelia’s first scene, it struck me that her first line in the play is a question that no one answers. Not so in her final scene. When she is interrupted, she interrupts right back. Laertes watches her sing and dance and name the properties of flowers, and observes that “she turns to favor and to prettiness.” Would Ophelia resonate the way she does if Shakespeare hadn’t turned her death into a beautiful picture, adorned with images of flowers and streaming hair and billowing gowns? In Reviving Ophelia, Mary Pipher describes anorexia as an attempt to wrestle bodily autonomy back from a society with punishing standards for women’s bodies: “You want me to be thin? Fine. I’ll be as thin as I want, and you can’t stop me.” Ophelia uses the outward forms of beauty and femininity to articulate her devastating grief, and in doing so, transforms herself from an object that is pleasant to look upon, into a person with a story that condemns and reproaches. She embarrasses, horrifies, and discomfits onlookers. She is impossible to dismiss; the only way to avoid confronting the indictment in her words is to turn your back on her completely.”

Muslim, queer and feminist: it’s as complicated as it sounds (Aaminah Khan, Human Parts, 18 mar. 2014): sobre equilibrar identidades aparentemente contraditórias.
“It is possible to be me and be Muslim. I wear miniskirts. I flirt with cute girls in bars. I drive my mother to distraction with my scoop-neck t-shirts and exposed legs. I have male friends. I have loved women and men and people who are neither or both or a complex mixture. Islam is not my father telling me that I can’t join the choir because good Muslim girls don’t sing in public. Islam is not a man telling me I need to cover myself or feel ashamed. Allah does not ask me to be ashamed of myself. Allah asks me to love, to feel compassion, to be empathetic, to give my life in service to the creator and to creation. These are things I can happily and willingly do.”

Embrace your ignorance: an interview with Neil Degrasse Tyson (Hazel, Rookie, 9 jul. 2012): Neil Degrasse Tyson sobre aprender, pesquisar, o universo e o meio científico.
“The not knowing is the actual attraction of it. So many people only want answers. To be a scientist you have to learn to love the questions. You’ll learn that some of the greatest mysteries of the universe remain unanswered, and that’s the fun part. That’s the part that gets you awake in the morning and running to the office, because there’s a problem awaiting your attention that you might just solve that day. You have to embrace the unknown and embrace your own ignorance.”

Sobre girl hate, again (Cristina Parga, Rapariga em flor, 8 mar. 2015): sobre competitividade entre garotas e o mundo de trabalho.
“Pode exigir um pouco de treinamento para quem foi criada na base da competição, mas o que posso dizer é que é extremamente libertador, gratificante e motivante sentir orgulho e alegria pelo trabalho de outras mulheres (e homens tb). É libertador porque passamos a pensar que não há um pódio só para um vencedor na vida – há milhares de prêmios e troféus, e há espaço para cada uma/um de nós, com todas as nossas particularidades. Não há como ninguém ser melhor do que a gente porque ninguém é igual a gente. Isso é tão lógico – porque será que não nos ensinaram esse mantra no berço?”

The unbearable whiteness of indie (Sarah Sahim, Pitchfork, 25 mar. 2015): sobre racismo no mundo da música.
“What substantiates this are the microaggressions, as well as overt and covert expressions of racism, that happen as a result of those systemically held ideals. Some may take the success of artists of color as threat to their space or scene. White art is deemed more worthy of respect, and so white audiences respond to it positively—it is set up for success. It’s evidenced the last week of news: be it the insidious petition urging Glastonbury to drop Kanye West in favor of a “rock band” (read: a white artist), or the repeated co-option of Indian and Desi pop culture by Major Lazer going unremarked upon. White art additionally dilutes and flattens aspects of other cultures’ music that it adopts in the process of making them more “accessible” for those whose curiosity does not extend beyond the parameters of Europe and North America. White “ambassadors” decide what parts of these musics of cultures get to filter through based on white notions of what is good, or real or what ethnomusical practices appeal to an American sense of authenticity (see also: Diplo).”

Glee episodes 612-613 recaps: Last stop on the midnight train (Heather Hogan, Autostraddle, 24 mar. 2015): sim, são recaps de Glee, mas são maravilhosas.
“Before the episode started, I asked if my friends remembered where they were when the pilot premiered, and they both said yes. And we all agreed that was super weird, because none of us could remember where we were when we watched the pilot of any other show. It’s like how you’re not actively trying to remember every detail of your first date with someone you’ll fall in love with, but 20 years later, you can still relay every detail. The things Glee got right, it got so right, in a way no show had gotten right before. In a twist of ultimate irony, Glee made us so brave, as individuals, and so strong, as a community, that we found the strength and courage to demand that it treat us right. Glee hated us a lot of the time, but it formed us in the fire of its own hopeful crucible!”

What if I don’t know what I want? (The blank vision board blues) (Gala Darling, 11 mar. 2015): sobre se sentir perdida e exausta.
“Let me say that another way. If you’re looking for a permission slip that says it’s alright for you to step away, THIS IS IT. Nothing good will come from pushing through, forcing yourself onwards, and gritting your teeth. You need space to figure out your next moves. Your imagination needs traffic cones placed around it so your thoughts can percolate.”

Women are far more innovative than men in this crucial part of life (John McWorther, Observer, 23 mar. 2015): sobre a influência das mulheres nas tendências de linguagem.
“Men, it would seem, happily embrace the lowdown side of a language, but not to simply explore and play with it the way women do. We might ask what it is about being a man that makes you more reserved about talking in new ways unless they are the kinds we’re told are not proper. Notably, this linguistic sense of self corresponds to the fact that on the one hand, masculinity has traditionally been associated with reserve, and that also, men are more associated with resistance to authority than women.”

A meditation on pain (Ira Sukrungruang, Longreads, 13 jan. 2015): sobre enxaquecas violentas.
“I want to tell you about a headache. I want to tell you when someone says they are having a headache we never take it seriously. We say go get some sleep. We say relax. We say it’s only a headache. I want to say there are seven different types of pain medication in my medicine cabinet right now, and I’ve used all of them. Two of them are prescribed. One can knock me out for twenty-four hours and leave my mouth sandpaper dry. I want to tell you that a headache made me overdose on pain medication once, and all I remember was lurching up my lunch at the student health clinic in Carbondale, Illinois, and a beautiful nurse patting my back because I was crying at the same time, crying and lurching, crying and lurching, because the pain didn’t go away, the one in my head, the one pulsating like a heart about to explode. I want to tell you that I know someone who had a headache and the only way he got rid of it was he shot himself. I want to tell you that I’ve thought about shooting myself.”

Os fiscais de militância (Clara Averbuck, Carta Capital, 4 jul. 2013): sobre pessoas que controlam a militância alheia.
“Olha, se você acha chato repensar conceitos caquéticos para que haja mudanças, é, então somos todas umas chatas. Rever conceitos é “chato” porque envolve questionar o que fomos ensinados, o que estamos acostumados a digerir. É chato ter que se policiar, é chato ter que assumir que fomos ensinados de maneira errada, é chato ter que se treinar pra pensar de maneira diferente, é chato tentar refrear o tempo todos os conceitos internalizados. Chato, chato, chato. Chato e necessário.”

Chloe Angyal: ‘You don’t have to be perfect’ (Sarah Galo, The Guardian, 31 dez. 2014): sobre ser mulher e escrever.
“You don’t have to be perfect. You can’t be, and you won’t be, so don’t get hung up on trying. There’s a freedom in the knowledge that perfection is not an option. But there’s a responsibility, too: it means that you will make mistakes. And you have to be prepared to screw up in public, and be held accountable in public, and apologise in public, and learn from those mistakes in public. This sounds like a challenge, but it’s actually a gift: it’s a way to be part of the kind of public discourse most of us wish we had, one where people are allowed to be wrong but are held accountable – and hold themselves accountable – when they are. It’s also a challenge, because screwing up can hurt other people and it doesn’t feel great for you, either. But it is also inevitable, and the best thing you can do is learn from it. And other people will learn from it, too: I’ve learned a lot from seeing my role models succeed in public, but I’ve learned far more from watching them learn from their mistakes in public.”

A gente ama a internet (Alessandra Nahra Leal, Confeitaria, 16 mar. 2015): sobre o poder transformador da internet.
“Tive um pensamento raro de ocorrer em uma pessimista indomável: que época boa para estar viva. Entre outras coisas, por que a internet existe. Vinte anos atrás eu falava sozinha com um joguinho tosco no meu primeiro computador, fingindo que tinha alguém ali atrás da tela. E não podia sequer imaginar os tipos de interações que teria, através de uma tela, com pessoas de verdade, vinte anos mais tarde.”

Saving while you’re spending: self-care with Meredith Graves (Fariha Roisin, The Hairpin, 10 mar. 2015): sobre self-care, violência, beleza, ansiedade e empatia.
“Adaptation carries with it this idea of evolutionary advantage. I’ve never felt naturally good at. I love getting on stage and performing—it’s something that I’ve always done. Feeling like, “It’s natural” and “I’m naturally good at it” is different. It’s an extension of me, that doesn’t mean I’m great at it. Moving always has a harmful side—staying transient, not getting close to people, not committing to anything. But, I would argue that is a form of self-care—knowing what I need, and executing it. Nobody is missing out by not developing a relationship with me. Trust me. I’m a loner. I’m not good at relating to people. I take care of myself, anyone who really knows me, and I’d say I only have a handful of close friends, would know that if they don’t hear from me for two months that I’m okay. It doesn’t mean I don’t love them. I guess I’ve adapted and I’ve adopted practices to allow me to take care of myself and who I really am.”

It’s a fanmade world (Vulture, 11 mar. 2015): sobre fanfic, em diversas abordagens.
“Online fic communities don’t just assert the fans’ right to make up their own stories about other people’s characters; they offer writers an unprecedented degree of input from their audience, whose comments often lead to strategic rewrites. This prospect tramples on the cherished icon of the artist as a unique genius producing singular work. That ideal, however, is a relatively recent one, instituted by the Romantic movement in the late-18th and early-19th centuries and carried forward to the present day by the mandarin creed of modernism. Fanfiction proponents often point out that for most of its history, literature has been a tissue of borrowings and adaptations, from the Plutarch histories that Shakespeare reworked into his plays to the stock phrases and legendary figures used by Homer. In The Discarded Image, his book on the aesthetics of antiquity and the Middle Ages, C. S. Lewis wrote, “I doubt if they would have understood our demand for originality or valued those works in their own age which were original any the more on that account … Why make things for oneself like the lonely Robinson Crusoe when there is riches all about you to be had for the taking?””

A place where everybody knows your name (Hannah Giorgis, The Hairpin, 9 mar. 2015): sobre nomes, identidades e migração.
“Growing up as an immigrant kid in a country defined by rigid boundaries and strict binaries, I learned to smooth out my name for people. Not correcting classmates or teachers when they pronounced it incorrectly became my white flag of choice, the slow surrender I rarely second-guessed. Outside our home, my parents called me the American version of my name. It was proof that my parents’ journey was worth it, a sign that we could assimilate into American-ness without raising our voices.”

Why we should stop measuring success by our age (Angela Abbott, Hello Giggles, 30 mar. 2015): sobre a pressão de atingir certos marcadores de sucesso em determinada idade.
“The anxiety started on my 24th birthday, because I knew I wasn’t even close to achieving the goals I’d set for myself in high school, and by 25, when I had none of the security I had promised myself I would, I felt like a failure. Clearly, at one time, I had determined what I wanted out of life, and I felt like I was letting down the young dreamer in me by being so unlike the version of herself that she imagined. Meanwhile every day, it seemed like someone I went to school back then with was posting engagement pictures and wedding pictures and pictures of their newborn children to social media. Why was I so behind? I know I’m not alone in this. Most of my friends feel the same way. We’re 27 now, but a lot of us aren’t where we expected to be at this point in our lives. Obviously, we can’t all be failures. We’ve just been given, or perhaps given ourselves, a convoluted idea of what our lives are supposed to look like. Which is why I declare that it’s time to stop measuring success by age.”

Shock news: contra to the headlines, people with depression have jobs (Stephanie Boland, New Statesman, 27 mar. 2015): sobre o copiloto que derrubou o avião e o estigma da depressão.
“The truth is, most of us rely on people with depression all throughout our everyday lives – in the vast majority of cases, we don’t even spot it. What must it be like to go through the world outraged by this? Are these folks kept awake at night by the fact that people with depression sometimes drive cars with passengers in? How do they deal with the clinically depressed having children? (Actually, don’t answer that, I’d really rather not know.)”

The collection and the cloud (Amelia Abreu, The New Inquiry, 9 mar. 2015): sobre arquivos, virtual x físico, interfaces, comunicação, e os desafios da história nos (des)limites da internet.
“Platforms collect and structure our personal data in such tidy compartmentalized ways, yet the utter lack of context in data mining continually catches us off guard. We communicate for the algorithms, not with them. Thus, sharing and saving is a continual schematic shift: what may be informal and under the radar one day might sharpen the mechanisms of data collection the next. Moreover, this line between authentic sharing and surveillance-aware communication is wavy at best. danah boyd uses the term “social stenography” to describe the aware-of-the-surveillance way of communicating we’ve come to adopt.”

That way we’re all writing now (Clive Thompson, The Message, 6 mar. 2015): sobre tendências linguísticas na internet.
“Me—I’m in! Mind you, I’m a fan of all the betentacled linguistic lifeforms that have emerged from our cambrian explosion online. These days, people write insanely more text than they did before the Internet and mobile phones came along. So the volume of experimentation is correspondingly massive and, for me, delightful. One joy of our age is watching wordplay evolve at the pace of E.coli.”

O cara legal? (Lorena Pimentel Villaça, Revista Pólen, 27 mar. 2015): sobre o mito do “nice guy”.
“Caso você não viva debaixo de uma pedra, deve conhecer dois caras bem importantes na cultura pop: Ross Geller e Ted Mosby. Eles têm algumas similaridades, como por exemplo serem zoados pelos amigos por serem nerds, terem hobbies questionáveis, terem um quê romântico e morarem em Nova York. Ah, e serem completamente babacas.”

No queer girls are queerer than others (Jeanette Young, The Link, 13 mar. 2012): sobre identidades queer e a busca por visibilidade.
“Our femininities are often marginalized and delegitimized. We are often seen as heteronormative, apolitical, less radical, and less queer in a community where being visible and valued depends on being masculine or androgynous. This femmephobia in queer communities—this devaluation and stigmatization of queer femininity—is a form of misogyny that is rooted in dominant patriarchal culture. It’s a form of sexism that intersects with cissexist, heterosexist, racist, classist, ableist, and sizeist views of femininity, women, and what it means to be queer.”

Candy girl (Emily Nussbaum, The New Yorker, 30 mar. 2015): sobre Unbreakable Kimmy Schmidt.
“In the pilot, Titus tells Kimmy to go home to Indiana; he’s trying to protect her. “Protect me from what?” she snorts. “The worst thing that ever happened to me happened in my own front yard.” The line echoes an incident from Fey’s life: at five, in her family’s yard, she was slashed by a mentally ill stranger, leaving her with a scar—a distinctive but not defining feature. It’s not the type of experience that you’d think would inspire comedy, but that’s the key to “Kimmy Schmidt” ’s ambition: by making horrible things funny, it suggests that surviving could be more than just living on. It could be a kind of freedom, too.”

Fan fiction friday: 8 femlash writers you need to know (Heather Hogan, Autostraddle, 20 mar. 2015): oito escritoras de fanfic sobre escrita e fandom.
“Publishing fan fictions has changed my life in a lot of ways. It has brought me full force into this wonderful fandom. It has brought some amazing, intelligent, and creative people into my life. It’s given me a group of people who just get it. And it’s given me some amazing friends. Some really valued, best kind of friends. I am thankful every day. It gave me more confidence as well, it’s allowed me to hone my craft more, it’s given me someone I can bounce ideas off of and help work through writer’s block with. I can’t really form words for the warm and fuzzy feeling I get from publishing and sharing my words with people, seeing how they react. It’s been an amazing ride. I’m so, so happy I decided to bite the bullet and publish that fateful day.”

The failure of bystander intervention (Lauren Chief Elk & Shaadi Devereaux, The New Inquiry, 23 dez. 2014): sobre os riscos de intervenção samaritana.
“In a culture of violence, both victim and intervening bystander have little support to rely on and are likely to be re-victimized after the original assault. In this light, bystander intervention appears less as a weapon in the fight against sexual assault and more like an evolved form of victim blaming. Minimizing the difficult work of challenging the institutions that support violence, it shifts the responsibility of ending violence to those most vulnerable to it.”

Hysteria and teenage girls (Hayley Krischer, The Hairpin, 13 mar. 2015): sobre fãs, adolescentes e as definições de histeria.
“I wonder what that means for the swarms of Bieber fans like Kate or the One Directioners depicted in their movie. I thought about the years I spent being a hysterical teenage girl, either obsessing over Madonna or later over Morrissey or later REM, or over any of the countless musicians that impacted my life. Science has a great deal to do with hysteria—you can’t ignore the chemical impact of dopamine, but hysteria defined women and girls more broadly than just that; hysteria has been a method of communication in which women have used to separate themselves from men for centuries. I though about that video of Kate in Smash Burger, wondering if she’ll one day look back at it embarrassed, but I hope she won’t. I hope she’ll see it as her individuality shining through, as a way she was able to be true to herself at a very specific time in her life.”

Butch please: Butch in the bathroom (Kate, Autostraddle, 3 mai. 2013): sobre navegar espaços exclusivos com uma apresentação de gênero fora do esperado.
“I consider, then, my options. Should I have used the men’s room instead, a place where I would feel incredibly unsafe and anxious? This woman fetched the manager and made it known to me that she did not feel I was supposed to be there, but what would a man do if he recognized me as an outsider to the space? I know stories of violence like the lines on my palm. I carry them around in a balled up fist to remind me why I do not enter men’s spaces, why my masculinity is a ticket through certain doors, but never enough to be a safety net.”

Mother’s day (Drew Zandonella-Stannard, The Hairpin, 11 mai. 2012): sobre famílias “não convencionais”.
“Later on, I would realize that if someone had to explain it might as well be me. If I wasn’t comfortable talking about lesbian mothers, gay dads, and baby food jars full of sperm, whole groups of people would go through life thinking that they had never met the functional product of same sex parents. Or that gay people reproduce through cloning. This is a true story. I once met a 22-year-old college student who explained this to me in great detail. She stands corrected.”

Laurel Canyon daze (Jon Patrick, The Selvedge Yard, 25 mar. 2015): sobre Laurel Canyon, com belas fotos.
“My dining room looked out over Frank Zappa’s duck pond, and once when my mother was visiting, three naked girls were floating around on a raft in the pond. My mother was horrified by my neighborhood. In the upper hills the Buffalo Springfield were playing, and in the afternoon there was just a cacophony of young bands rehearsing. At night it was quiet except for cats and mockingbirds. It had a smell of eucalyptus, and in the spring, which was the rainy season then, a lot of wildflowers would spring up. Laurel Canyon had a wonderful distinctive smell to it.”

LINKS: ÁUDIO & VÍDEOS & ETC.

Tommy Wiseau AMA (Reddit, 17 mar. 2015): o ator-diretor-roteirista bizarro Tommy Wiseau respondendo perguntas sobre The Room e The Neighbors.

Two poems (Kimberly Ann Southwick, Lockjaw Magazine): dois belos poemas.
“when i was fifteen, i wrote a poem in french,
every line beginning with je voudrais. i wanted
a bookshelf reachable from a claw-foot bathtub. i wanted
those un-see-through-able windows that let in blurry light. i wanted
something with big arms and a diamond in the rough story to sleep next to me
maybe wrap those arms around me. i found a word for all of it
& swallowed.”

Art Assignment Bot: Twitter que cria random art assignments através de um bot.

Brand New Aesthetics: Tumblr que cria novos movimentos artísticos aleatórios.

Photos that are “too hard to keep”: fotos de um projeto do artista Jason Lazarus, que pediu para que pessoas enviassem fotos que consideram “too hard to keep”, sem contexto.

Roxane Gay Twitter Q&A on essay writing: conselhos e comentários muito úteis da escritora Roxane Gay.

A Bechdel Test for music (Paul de Revere, Pitchfork, 17 mar. 2015): uma playlist de músicas que passam uma variante do Bechdel Test.

Felines of New York: HONY, versão felina.

BDSM 101 (Stuff Mom Never Told You, 23 mar. 2015): podcast informativo e interessante sobre BDSM.

Resultados #youcandoit: sétima semana

O #youcandoit da sexta semana ainda está pendente (essa coisa de cair chuva forte no fim de semana me deixando ilhada sem conseguir ir ao Planetário tá difícil), mas cumpri o da sétima, com o namorado e a ilustre visitante Clara Browne n’O Cluster.

Estava tendo uma manhã desanimada (noite mal dormida, coisas demais na cabeça, dia com cara de chuva, vontade de ficar dormindo a tarde inteira), mas caprichei na roupa, no salto e na maquiagem e fui com o namorado encontrar a Clara, minha querida amada amiga coeditora da Capitolina que vive em São Paulo então eu vejo menos do que gostaria, em Botafogo. Chegando n’O Cluster, encontrei mais umas cinco pessoas conhecidas nos primeiros dez minutos (é o que acontece em eventos no Rio de Janeiro), o que tornou a tarde ainda mais social do que eu esperava.

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~*migas*~

 

Acabamos dando uma olhada muito por alto nos objetos e na moda, e corremos para as barraquinhas de comida. Me enchi de batatas do Frites, comi um chana masala delicioso do Namasté Indian Food e aproveitei um Pink Spanking delicioso (vodka + triple sec + cranberry + hibiscus) do SM Drinks, enquanto minhas companhias comiam hambúrgueres do Monsieur B. Acabado o almoço, nos deslocamos pro Torta & Cia da Cobal para sobremesa, e estou até agora com vontade de mais um pedaço de torta de tapioca com doce de leite.

Curtindo meu Pink Spanking da SM Drinks.

Curtindo meu Pink Spanking da SM Drinks.

A noite acabou em casa, com família, papos sobre mapa astral e Gilmore Girls, e a presença da Clara até eu ter que me despedir para ir dormir (quer dizer… escrever esse post antes, e aí ir dormir).

E vocês? Se arrumaram e saíram para se divertir, como instruído? Como passaram o fim de semana?

You were never on your own: sobre One Direction, fãs e garotas adolescentes

One Direction, Parque dos Atletas, 8/5/14.

One Direction, Parque dos Atletas, 8/5/14.

Se você frequenta os mesmos círculos de internet que eu frequento, o assunto que mais viu hoje no Twitter foi a saída do Zayn Malik da boyband One Direction. Eu sou fã da banda (anetoda ilustrativa: fui de Pista VIP no show do Rio, enfrentando um engarrafamento de duas horas numa greve de ônibus) e recebi a notícia no caminho para o trabalho, quando a Verônica (minha companheira #1 de fangirling sobre One Direction) me telefonou para contar assim que soube. Na verdade, não fiquei tão surpresa – já estava na cara que isso ia acontecer –, e me afetou menos do que teria me afetado um ano atrás – estou menos investida na banda hoje em dia, especialmente porque fiquei bem decepcionada com o último CD (meu favorito é o terceiro, Midnight Memories, e senti que eles caíram de qualidade no Four). De qualquer forma, foi algo de certa importância pra mim, e teria sido de ainda maior importância um ou dois anos atrás, quando minha paixão pela banda estava em seu auge.

No entanto, mesmo que não fosse o caso, mesmo que eu não desse a mínima pra boybands, mesmo que eu nunca tivesse ouvido falar em Zayn Malik, mesmo que eu não ficasse super emocionada ouvindo “Through the dark”, eu ainda teria ficado irritadíssima com o que vi na internet: um monte de gente zoando as adolescentes que estavam sofrendo por isso, um monte de gente desprezando as fãs que estavam tristes, um monte de adulto achando que emoção de adolescente sobre membro de boyband é “frescura”. Felizmente, meu círculo da internet incluía muito mais gente se posicionando contra esse tipo de reação, mas só bater o olho nos comentários do post do Buzzfeed sobre as reações “dramáticas” das fãs já fez meu sangue ferver.

O que duas adultas fazem na pista VIP.

O que duas adultas fazem na pista VIP.

Existem, a meu ver, dois elementos muito presentes nesse tipo de reação negativa às emoções das fãs: um desprezo (bastante machista) de tudo que é feito por/para garotas adolescentes, e uma violência generacional contra os jovens “desta geração” – como se fossem tão diferentes dos jovens de gerações anteriores.

Um comentário no post do Buzzfeed dizia algo como “que vergonha dos jovens de hoje em dia”, e foi respondido com “bom, é bem parecido com a reação das fãs quando os Beatles acabaram, há décadas”. Porque, vamos lá, é mesmo. O surgimento da categoria “adolescente” é considerado bem recente, e atribuído a questões capitalistas mercadológicas, criando uma faixa idade intermediária entre a criança e o adulto com interesses de consumo específicos, mas adolescentes são adolescentes desde, bem, sempre – mesmo que, antes, fossem só “jovens”. Em A Hard Day’s Night, filme dos Beatles de 1964, hordas de garotas adolescentes correm e gritam e choram e desmaiam quando veem seus ídolos; em This is Us, filme do One Direction de 2013, hordas de garotas adolescentes correm e gritam e choram e desmaiam da mesma forma. Não é uma diferença generacional, não são “as adolescentes de hoje em dia”, os adolescentes da geração seguinte à sua não são piores do que você, agora adulto, quando adolescente. O que me incomoda ainda mais, na realidade, é quando esse discurso é reproduzido pelos próprios jovens: uma nostalgia por algo que não viveu, a ideia de que jovens “antigamente” eram os jovens “certos”, que jovens de hoje são “ridículos”, uma insatisfação com a própria condição de jovem, um claro reflexo de viver em um ambiente em que os adultos desprezam a sua geração.

Outros comentários – os mais frequentes – só desprezavam as adolescentes, ponto. Desprezavam a banda, desprezavam a reação aparentemente desproporcional. Desprezavam o fato de tudo isso ser por uma boyband (considerada musicalmente e culturalmente “inferior”), desprezavam o fato de as reações serem feitas de forma tipicamente feminina e adolescente – lágrimas, superexposição em redes sociais, declarações de amor elaboradas. Algumas pessoas no meu Twitter apontaram o óbvio: tem gente desprezando o sofrimento das garotas por One Direction, mas fazendo tatuagem de Breaking Bad; tem gente desprezando as fãs de uma boyband que estão chorando, mas chorando ainda mais quando o time de futebol perde um campeonato. Há uma discrepância clara entre o que é visto como algo vergonhoso e algo honroso para se ser fã, e a discrepância é baseada em um ponto: é vergonhoso gostar de algo cujo público principal é garotas adolescentes.

Garotas adolescentes são associadas a tudo que há de negativo na feminilidade e na juventude: fraqueza, impulsividade, instabilidade, ora cruéis e manipuladoras, ora frágeis e manipuláveis, ora sedutoras ninfomaníacas, ora inocentes submissas; mas sempre, sempre, sempre ligadas a vergonha, a ignorância, sempre vistas como exageradas cujas emoções e ações são porque “elas não sabem de nada”. Mas eu escrevo isso tudo para questionar por que características e sentimentos naturais, humanos, perfeitamente compreensíveis quando você, como garota adolescente, é pressionada dessa forma, são vistos como negativos, insignificantes, vergonhosos; por que qualquer associação ao ser-garota-adolescente é desprezível a esse ponto.

 

“Dr. Armonson stitched up her wrist wounds. Within five minutes of the transfusion he declared her out of danger. Chucking her under the chin, he said, “What are you doing here, honey? You’re not even old enough to know how bad life gets.” And it was then Cecilia gave orally what was to be her only form of suicide note, and a useless one at that, because she was going to live: “Obviously, Doctor,” she said, “you’ve never been a thirteen-year-old girl.”
– Jeffrey Eugenides, The Virgin Suicides

 

+
Hysteria and teenage girls (Hayley Krischer, The Hairpin, 15 mar. 2015)
Uma adolescente chamada Delírio (Lorena Piñeiro, Capitolina, 26 mar. 2015)
O primeiro dia internacional de fanworks (e uma conversa sobre fandom) (Gabriela Martins, Andam Falando, 16 fev. 2015)
Porque internet também é vida real (Sofia Soter, Capitolina, 26 fev. 2015)
http://www.stuffmomnevertoldyou.com/podcasts/teenyboppers-from-musicomaniacs-to-beliebers/”>Teenyboppers: from musicomaniacs to Beliebers (Stuff Mom Never Told You, 7 jan. 2015)
Why take Taylor Swift seriously? (Stuff Mom Never Told You, 5 jan. 2015)

Desafio #youcandoit: sétima semana

De maquiagem caprichada, arrasando no Karaokê. Foto via I Hate Flash.

De maquiagem caprichada, arrasando no Karaokê. Foto por Derek Mangabeira via I Hate Flash.

Talvez vocês tenham reparado que eu postei o desafio da sexta semana e… nada de resultado. E já é terça-feira. O que aconteceu foi que eu ia ao planetário no domingo, porque só tem sessão de cúpula no fim de semana, mas caiu um tremendo temporal e acabei ilhada na casa do meu pai até tarde. Como quero ir para pegar uma sessão de cúpula, terei que esperar até o próximo fim de semana, então decidi acumular dois desafios para a presente semana.

Depois de sortear o de hoje, me dei conta de que até dá pra fazer os dois numa tacada só, quem sabe?

DESAFIO #YOUCANDOIT #7: SE ARRUME E SAIA PARA SE DIVERTIR

A diversão em questão pode ser do tipo que você preferir: festas de noite inteira, um café de meio de tarde, uma visita à livraria, um jantar romântico… O importante é só se ater ao espírito da coisa: se vestir da forma que faz você se sentir mais incrível, e sair para fazer algo que considera mesmo divertido.